Retirado do http://www.imil.org.br/artigos/nossa-democracia-e-como-um-saci-perere/
Artigos
17/02/2010
Nossa democracia é como um saci-pererê
Paulo Guedes
A vitória do empresário Sebastián Piñera na eleição presidencial chilena invadiu o noticiário brasileiro com interessantes interpretações políticas. Uma observação imediata, de olho na sucessão de Lula, tem dado ênfase à incapacidade da presidente Michelle Bachelet de transferir votos e impedir, apesar de seus 80% de aprovação popular, a derrota do candidato da aliança de esquerda, Eduardo Frei. Seria um sinal das dificuldades à frente da candidatura de Dilma Rousseff.
Outro registro tem sido o fim de um longo período de hegemonia eleitoral da esquerda, antes e depois da ditadura do general Pinochet. Com a vitória de Piñera, a liberal-democracia surge como bem fundamentada alternativa aos socialistas e aos social-democratas, disputando as preferências de conservadores e democratas-cristãos. Ao contrário do que ocorre no Brasil, politicamente perneta, um saci-pererê que só tem a perna esquerda.
Como liberal-democrata de boa estirpe, não estou politicamente representado por nenhum dos partidos atuais. Meu único suspiro limitou-se ao ano da retomada das eleições diretas no Brasil, em 1989, quando coordenei a elaboração do programa econômico de Guilherme Afif Domingos. Divirto-me hoje com o ressentimento dos tucanos para com os petistas em busca dos direitos autorais sobre a autonomia do Banco Central no combate à inflação, o regime de câmbio flexível e a exigência de superávit primário no orçamento. Afinal, tudo isso e muito mais que ainda falta para nosso bom desempenho econômico já estava no programa liberal-democrata que formulamos. De qualquer modo, antes tarde do que nunca.
Mas, na experiência chilena, há outras leituras bem mais importantes que não têm sido realçadas. Por mais de duas décadas, suas taxas de crescimento econômico estiveram entre as mais altas do mundo, as políticas sociais foram as mais avançadas e o grau de corrupção na política é dos mais baixos. As alianças políticas são orgânicas: socialistas, social-democratas e democratas-cristãos se revezaram no poder batendo na tecla da solidariedade. Os liberais-democratas e os conservadores levantam agora a bandeira da eficiência.
Pelo fato de a economia ter exibido vigoroso crescimento, o pêndulo político esteve por 20 anos com a social-democracia, em defesa de políticas públicas que atenuassem as desigualdades de oportunidades. Agora, no momento em que se mostra ameaçada a engrenagem de criação de riqueza, o pêndulo eleitoral se inclina para a liberal-democracia, de modo a impedir a fossilização da política, a estagnação da economia e a interrupção da dinâmica de mobilidade social.
O Chile, portanto, avança célere nos trilhos da Grande Sociedade Aberta. É a síntese da modernidade, muito além da esquerda e da direita. É a grande história de sucesso na América Latina. O modelo econômico liberal e as políticas públicas com foco na eliminação da pobreza e na promoção da igualdade de oportunidades criaram uma nova sociedade. Os chilenos situados abaixo da linha de pobreza eram 50% no início dos anos 80. Caíram para os 13,5% de hoje. Os frutos do progresso em ritmo acelerado foram transferidos à maioria da população.
É compreensível que, por solidariedade ou identidade latino-americana, tenhamos simpatia por figuras como Fidel, Chávez e Morales. Mas só a desonestidade intelectual, a ignorância econômica ou a cegueira ideológica poderiam encontrar em seu surrado discurso socialista e populista qualquer esperança de um futuro melhor para seus povos. O câmbio duplo, o Exército nos supermercados e a onda de frustrações que varre a Venezuela evocam tristes lembranças do Plano Cruzado, com os “Fiscais do Sarney” nas cidades enquanto se caçavam bois no pasto.
Há hoje, claramente, duas tribos na América Latina: de um lado, o Chile, o Peru, o Brasil e a Colômbia. De outro, Cuba, Venezuela, Argentina, Bolívia e Equador. Não há muitas dúvidas quanto a quem está no caminho certo – e quem repete tragicamente erros do passado.
COMENTO:
Assim como o autor do texto não me enquadro em nenhum partido atual.Para mim são apenas aglomerações com interesses individuais acima do interesse coletivo.
Fiquei em dúvida da colocação do Brasil no time do Chile.Talvez seja apenas pelo aspecto economico.Acredito que nesse ano eleitoral é possível o autor mudar o lado do Brasil pois a gastança populista anda em alta e com chances de termos um Governo mais chegado a Chavez em todos seus aspectos.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Contradições de um país contraditório.
Publicado no:http://www.imil.org.br/artigos/as-contradicoes-do-nosso-sistema-fundiario/
Artigos
15/02/2010
As contradições do nosso sistema fundiário
Klauber Pires
Quando em público é dada a palavra a alguém cuja cabeça-oca esteja contaminada por conceitos socialistas, a primeira coisa que lhe vem à mente é acusar “o capitalismo e suas contradições”. Quem já não ouviu este bordão antes? Nas linhas seguintes, vou apresentar algumas críticas à nossa Constituição e à legislação fundiária e ambiental, à luz da lógica, para demonstrar o quanto de contradição existe no socialismo.
Comecemos pelo argumento primeiro do MST, qual seja, o de combater o latifúndio improdutivo. Isto pode parecer a algumas pessoas uma questão de justiça. Digo mais: isto pode até mesmo seduzir pessoas que, em princípio, não são simpatizantes de partidos de esquerda. Porém, não é uma contradição que um agricultor seja punido por manter espontaneamente áreas sem produzir quando tenha que manter, por força de lei, uma reserva legal de 80% (!) na Amazônia e de 50% no restante do país?
Permita-se-me ainda aproveitar a deixa para explicar que há uma função econômica benfazeja na manutenção de um latifúndio. Ele evita que recursos sejam investidos uma área que ainda não possui uma razoável infra-estrutura, e que venham a produzir excedentes que não venham a ser demandados pelo mercado. Quando nos lembramos dos anos 80 e 90, percebemos como o desespero em produzir para não ser invadido causou de prejuízo ao nosso país: eram muitas as notícias de plantações inteiras deixadas a apodrecer, porque era simplesmente mais barato deixá-las na terra do que colhê-las e tentar comercializá-las. Alguns agricultores, mais sensibilizados, distribuíam os alimentos para a população, mas como esta própria operação representava um gasto a mais e eles estavam já bastante endividados, aos poucos resignaram-se quase todos. Peço para o leitor imaginar quantos bilhões de reais poderiam ter sido investidos em atividades que fossem mais urgentes e rentáveis, com criação de empregos para centenas ou milhares de pessoas.
Assim se compreende que os chamados “latifúndios improdutivos” tinham a função de manter preservadas as áreas que ainda não estavam demandadas pelo mercado. Em outras palavras, os latifúndios eram ecologicamente corretos.
Mas vamos adiante: nós temos um “Estatuto da Terra”, pelo qual a propriedade privada rural deixou de existir para se tornar uma concessão do estado. Hoje, qualquer fazenda que ainda esteja operando pode agradecer tão somente à generosidade do MST, cujos representantes estão todos ocupando cargos de confiança no Incra.
Quando uma propriedade rural é julgada improdutiva pelos técnicos do Incra, o seu dono não pode contestar o resultado do laudo, restando-lhe tão somente discutir o valor da indenização. Somente aí já se encontra um flagrante de abuso de poder, pois a técnica, como muito bem ensinado pelo bom Direito Constitucional e Administrativo, não admite sujeição ao poder discricionário e nem a qualquer hierarquia de preferência pelas partes. A técnica somente aceita objeções ou comprovações também técnicas, e é por isto, como em várias outras instâncias da vida, que se permite que contraprovas sejam apresentadas pelos cidadãos, ou que comissões mistas sejam constituídas. Aliás, em tempo, desta forma, o julgamento de produtividade do Incra desobedece também os preceitos constitucionais de garantia ao contraditório e à ampla defesa.
Destarte, todo julgamento idôneo se inicia por diligenciar se as testemunhas são amigas íntimas ou inimigas notórias das partes. Ora, somente por isto, se o Incra tem em seus quadros de chefia egressos do MST, ou se simplesmente se puder comprovar que seus funcionários alinham-se ideologicamente a este movimento, então pode-se arguir que o laudo de produtividade é nulo por má-fé presumida.
Consideremos agora a terra desapropriada. Ora, não temos uma Constituição que diz que somos todos iguais perante a lei? Desta forma, e considerando que, antes de ser transferida a um novo dono, esta propriedade agora pertence ao Estado, então ele (o Estado) sujeita-se ao princípio constitucional da impessoalidade. Ou não?
Ainda, há uma consagrada lição da doutrina do Direito Administrativo chamada de “Teoria dos Motivos Determinantes”. Esta teoria diz que todo ato do estado que contenha um motivo torna-se defensável por ele. Um exemplo clássico é o do servidor público ocupante de um cargo demissível ad nutum, tal como são os cargos de confiança. Ele pode ser demitido tão somente pela vontade do seu chefe, mas se este alegar que o fez devido ao funcionário chegar comumente atrasado, então este funcionário demissionário, com base neste “motivo determinante”, poderá se defender apresentando a sua folha de ponto em que conste que não chegava atrasado, ou pelo menos não com frequência.
Transposta a Teoria dos Motivos Determinantes para o problema fundiário, então é de uma lógica irretorquível que os novos donos da terra deverão demonstrar que produzem com uma produtividade superior ao do agricultor desapropriado.
Desta forma, dois requisitos cumulativos são imprescindíveis para a alienação aos novos particulares: a) esta terra haveria de ser leiloada e, b) somente poderiam participar do leilão particulares que comprovassem produzir com um índice de produtividade superior ao do indivíduo desapropriado.
Uma transferência gratuita, pois, haveria de ocorrer somente após o fracasso de três leilões consecutivos, como ocorre com leilões de bens apreendidos pela Receita Federal, e haveria de ser entregue a pessoas que não estivessem sofrendo o vício de interesse no processo, como são os invasores, em consonância com as normas mais básicas de moralidade pública. (Em um leilão da Receita Federal, estão impedidos de participar os próprios contrabandistas ou pessoas que estejam em situação de irregularidade fiscal).
Desobedecendo a todos estes princípios vitais da Constituição, uma montanha de subterfúgios legais, fórmulas de ocasião e a leniência de um Poder Judiciário mentalmente simpático ao MST permitem que a terra seja transferida graciosamente a pessoas que não possuem os necessários recursos para manter um empreendimento de magnitude e de quem nem sequer se pode esperar alguma produtividade.
Aqui talvez caiba uma indagação sobre como tais coisas podem vir a acontecer. Não é tão difícil explicar: Se o sistema jurídico fosse um programa de computador, qualquer comando contraditório iria resultar no emperramento do software ou em pelo menos algumas de suas funções. No sistema jurídico, dada a sua prodigalidade positivista, um tal entrelaçamento lógico de todos os comandos legais é humanamente impossível, e o que os juízes fazem é aterem-se às normas específicas e mandar o resto às favas.
Concluindo, toda a legislação fundiária e ambiental é mal-disfarçadamente eivada de contradições, cujas consequências não podem ser outras do que a desintegração do sistema jurídico. Aponto-as aqui tão somente para demonstrar que o ânimo que levou a lume tal legislação nunca passou pela defesa da terra, pela preservação ambiental ou do bom uso dos recursos naturais e econômicos.
Por isto recomendo à CNA que produza debates com estes argumentos, já que agora conta com a feliz criação de um instituto voltado a registrar a insegurança jurídica no campo. Eu ainda sugiro algo mais: que se façam registrar estes argumentos nos autos, por mais que sejam desprezados pelos juízes, que se publiquem nos jornais, abertamente, para serem expostos à população. Talvez assim possamos criar um estado de opinião pública que reverta este problema
COMENTO:
Isso é o Brasil.Cheio de leis contraditórias , jeitinhos e impregnadas de interpretações ideológicas e não técnicas.
SUGRSTÃO:Leiam os artigos publicados no site do Instituto Millenium.
Artigos
15/02/2010
As contradições do nosso sistema fundiário
Klauber Pires
Quando em público é dada a palavra a alguém cuja cabeça-oca esteja contaminada por conceitos socialistas, a primeira coisa que lhe vem à mente é acusar “o capitalismo e suas contradições”. Quem já não ouviu este bordão antes? Nas linhas seguintes, vou apresentar algumas críticas à nossa Constituição e à legislação fundiária e ambiental, à luz da lógica, para demonstrar o quanto de contradição existe no socialismo.
Comecemos pelo argumento primeiro do MST, qual seja, o de combater o latifúndio improdutivo. Isto pode parecer a algumas pessoas uma questão de justiça. Digo mais: isto pode até mesmo seduzir pessoas que, em princípio, não são simpatizantes de partidos de esquerda. Porém, não é uma contradição que um agricultor seja punido por manter espontaneamente áreas sem produzir quando tenha que manter, por força de lei, uma reserva legal de 80% (!) na Amazônia e de 50% no restante do país?
Permita-se-me ainda aproveitar a deixa para explicar que há uma função econômica benfazeja na manutenção de um latifúndio. Ele evita que recursos sejam investidos uma área que ainda não possui uma razoável infra-estrutura, e que venham a produzir excedentes que não venham a ser demandados pelo mercado. Quando nos lembramos dos anos 80 e 90, percebemos como o desespero em produzir para não ser invadido causou de prejuízo ao nosso país: eram muitas as notícias de plantações inteiras deixadas a apodrecer, porque era simplesmente mais barato deixá-las na terra do que colhê-las e tentar comercializá-las. Alguns agricultores, mais sensibilizados, distribuíam os alimentos para a população, mas como esta própria operação representava um gasto a mais e eles estavam já bastante endividados, aos poucos resignaram-se quase todos. Peço para o leitor imaginar quantos bilhões de reais poderiam ter sido investidos em atividades que fossem mais urgentes e rentáveis, com criação de empregos para centenas ou milhares de pessoas.
Assim se compreende que os chamados “latifúndios improdutivos” tinham a função de manter preservadas as áreas que ainda não estavam demandadas pelo mercado. Em outras palavras, os latifúndios eram ecologicamente corretos.
Mas vamos adiante: nós temos um “Estatuto da Terra”, pelo qual a propriedade privada rural deixou de existir para se tornar uma concessão do estado. Hoje, qualquer fazenda que ainda esteja operando pode agradecer tão somente à generosidade do MST, cujos representantes estão todos ocupando cargos de confiança no Incra.
Quando uma propriedade rural é julgada improdutiva pelos técnicos do Incra, o seu dono não pode contestar o resultado do laudo, restando-lhe tão somente discutir o valor da indenização. Somente aí já se encontra um flagrante de abuso de poder, pois a técnica, como muito bem ensinado pelo bom Direito Constitucional e Administrativo, não admite sujeição ao poder discricionário e nem a qualquer hierarquia de preferência pelas partes. A técnica somente aceita objeções ou comprovações também técnicas, e é por isto, como em várias outras instâncias da vida, que se permite que contraprovas sejam apresentadas pelos cidadãos, ou que comissões mistas sejam constituídas. Aliás, em tempo, desta forma, o julgamento de produtividade do Incra desobedece também os preceitos constitucionais de garantia ao contraditório e à ampla defesa.
Destarte, todo julgamento idôneo se inicia por diligenciar se as testemunhas são amigas íntimas ou inimigas notórias das partes. Ora, somente por isto, se o Incra tem em seus quadros de chefia egressos do MST, ou se simplesmente se puder comprovar que seus funcionários alinham-se ideologicamente a este movimento, então pode-se arguir que o laudo de produtividade é nulo por má-fé presumida.
Consideremos agora a terra desapropriada. Ora, não temos uma Constituição que diz que somos todos iguais perante a lei? Desta forma, e considerando que, antes de ser transferida a um novo dono, esta propriedade agora pertence ao Estado, então ele (o Estado) sujeita-se ao princípio constitucional da impessoalidade. Ou não?
Ainda, há uma consagrada lição da doutrina do Direito Administrativo chamada de “Teoria dos Motivos Determinantes”. Esta teoria diz que todo ato do estado que contenha um motivo torna-se defensável por ele. Um exemplo clássico é o do servidor público ocupante de um cargo demissível ad nutum, tal como são os cargos de confiança. Ele pode ser demitido tão somente pela vontade do seu chefe, mas se este alegar que o fez devido ao funcionário chegar comumente atrasado, então este funcionário demissionário, com base neste “motivo determinante”, poderá se defender apresentando a sua folha de ponto em que conste que não chegava atrasado, ou pelo menos não com frequência.
Transposta a Teoria dos Motivos Determinantes para o problema fundiário, então é de uma lógica irretorquível que os novos donos da terra deverão demonstrar que produzem com uma produtividade superior ao do agricultor desapropriado.
Desta forma, dois requisitos cumulativos são imprescindíveis para a alienação aos novos particulares: a) esta terra haveria de ser leiloada e, b) somente poderiam participar do leilão particulares que comprovassem produzir com um índice de produtividade superior ao do indivíduo desapropriado.
Uma transferência gratuita, pois, haveria de ocorrer somente após o fracasso de três leilões consecutivos, como ocorre com leilões de bens apreendidos pela Receita Federal, e haveria de ser entregue a pessoas que não estivessem sofrendo o vício de interesse no processo, como são os invasores, em consonância com as normas mais básicas de moralidade pública. (Em um leilão da Receita Federal, estão impedidos de participar os próprios contrabandistas ou pessoas que estejam em situação de irregularidade fiscal).
Desobedecendo a todos estes princípios vitais da Constituição, uma montanha de subterfúgios legais, fórmulas de ocasião e a leniência de um Poder Judiciário mentalmente simpático ao MST permitem que a terra seja transferida graciosamente a pessoas que não possuem os necessários recursos para manter um empreendimento de magnitude e de quem nem sequer se pode esperar alguma produtividade.
Aqui talvez caiba uma indagação sobre como tais coisas podem vir a acontecer. Não é tão difícil explicar: Se o sistema jurídico fosse um programa de computador, qualquer comando contraditório iria resultar no emperramento do software ou em pelo menos algumas de suas funções. No sistema jurídico, dada a sua prodigalidade positivista, um tal entrelaçamento lógico de todos os comandos legais é humanamente impossível, e o que os juízes fazem é aterem-se às normas específicas e mandar o resto às favas.
Concluindo, toda a legislação fundiária e ambiental é mal-disfarçadamente eivada de contradições, cujas consequências não podem ser outras do que a desintegração do sistema jurídico. Aponto-as aqui tão somente para demonstrar que o ânimo que levou a lume tal legislação nunca passou pela defesa da terra, pela preservação ambiental ou do bom uso dos recursos naturais e econômicos.
Por isto recomendo à CNA que produza debates com estes argumentos, já que agora conta com a feliz criação de um instituto voltado a registrar a insegurança jurídica no campo. Eu ainda sugiro algo mais: que se façam registrar estes argumentos nos autos, por mais que sejam desprezados pelos juízes, que se publiquem nos jornais, abertamente, para serem expostos à população. Talvez assim possamos criar um estado de opinião pública que reverta este problema
COMENTO:
Isso é o Brasil.Cheio de leis contraditórias , jeitinhos e impregnadas de interpretações ideológicas e não técnicas.
SUGRSTÃO:Leiam os artigos publicados no site do Instituto Millenium.
Crise na Europa
Interessante artigo sobre a origem da crise na Europa.
Retirado do http://rodrigoconstantino.blogspot.com/
Constantino, Revista Voto
Apesar do epicentro da crise mundial estar nos Estados Unidos, a economia européia é que foi parar na UTI. Mais especificamente, os países denominados PIGS (Portugal, Itália, Grécia e Espanha, na sigla em inglês) estão passando por um verdadeiro dilema sem fácil solução. A tragédia grega se espalha rapidamente para contaminar os demais membros da União Européia, todos eles vítimas do mesmo tipo de doença. Esta mazela tem nome: chama-se welfare state.
A vida animal numa natureza hostil nunca foi fácil. Não poderia ser diferente para os seres humanos. Sobreviver é uma árdua tarefa, sujeita a inúmeros riscos, além da constante necessidade de labutar para obter os recursos fundamentais. Viver bem então, levar uma “vida digna”, parece uma meta ainda mais audaciosa. Boa parte da humanidade simplesmente viveu ou vive à margem dessas benesses que os povos de nações desenvolvidas pelo capitalismo parecem tomar como certas. E quando a maioria do povo começa a encarar tais condições como “direitos” que são garantidos pelo governo, e não mais como resultado de um sistema que oferece liberdade individual e cobra responsabilidade em troca, eis quando os problemas começam.
Conceitos básicos obtidos pelo bom senso passam a ser ignorados por aqueles que, feito crianças mimadas, sonham que basta bater o pé no chão e pedir para ser atendido. Mas quem vai provê-los de tais “direitos”, na verdade vantagens duramente conquistadas? Ora, o Estado, “essa grande ficção através da qual todo mundo tenta viver à custa de todo mundo”, como dizia Bastiat. Essas pessoas, imbuídas de uma mentalidade coletivista que justifica tudo pelo “social”, esquecem que para alguém desfrutar do direito a produtos feitos pelos homens, outro deve ser obrigado a trabalhar para produzi-los. Afinal, casas, remédios, roupas, alimentos, nada disso cai do céu. Quando um povo ignora como tais recursos são possíveis, quando ele passa a acreditar que basta o governo decretar, e todos os desejos serão realizados, o encontro com a dura realidade será questão de tempo.
E o tempo de ajustes dolorosos para os europeus chegou. O aumento na quantidade de “direitos” oferecidos pelos governos europeus aos seus eleitores foi impressionante nas últimas décadas. Para financiar tais promessas, a carga tributária já subiu a patamares assustadores, fazendo com que um típico europeu tenha que trabalhar quase a metade do ano apenas para pagar impostos. A rigidez das leis trabalhistas, na ingênua crença de que garantiriam segurança aos trabalhadores (já empregados), engessou a economia, dificultando a demissão e, portanto, a contratação de pessoal. Os governos encontraram, como única alternativa para honrar seus gastos excessivos, a opção de emitir dívida. O endividamento desses governos em relação às suas economias chegou a graus insustentáveis em alguns casos.
Enquanto a maré toda está subindo, por conta de choques produtivos com a entrada de bilhões de eurasianos no mercado de trabalho, ou pela manutenção das taxas de juros em níveis artificialmente baixos, tudo parece bem. Mas quando a bolha estoura e a maré baixa, aqueles que nadavam pelados ficam expostos. É justamente este o caso de boa parte da Europa. Seu modelo de welfare state apresenta grande semelhança ao esquema Ponzi de pirâmide. Os trabalhadores novos vão sendo forçados a trabalhar mais para pagar pelos “direitos” dos outros. A previdência social, altamente benigna, no papel, com os aposentados, vai acumulando um rombo explosivo. Ocorre que a demografia não mais ajuda. Os europeus passaram a ter menos filhos. A conta não fecha. E a economia mundial deixou de ajudar, entrando em recessão. A bomba-relógio parece cada vez mais próxima de explodir.
O que deve ser feito é bastante claro do ponto de vista teórico. Esses governos precisam apertar bastante seus cintos, reduzir drasticamente seus gastos, soltar as amarras burocráticas que travam o dinamismo econômico, e deixar o setor privado respirar ares mais livres. Em resumo, a Europa precisa realizar reformas liberais, voltar a aceitar a realidade como ela é. O trabalho precisa ser enaltecido, em vez da vida parasitária à custa dos outros. A responsabilidade, sempre individual, precisa retornar, jogando para escanteio a utopia coletivista. Os fatos devem ser enfrentados. A formiga, enfim, precisa ser mais valorizada que a cigarra.
Há, entretanto, um grave problema na equação: convencer esse povo, agora já acostumado, a abrir mão dos privilégios insustentáveis. Muitos já ameaçam ou até fazem greves gerais, mostrando que não aceitarão, sem luta, regressar à realidade, largar o osso oferecido pelo governo no passado. A cigarra, mesmo doente, não deseja abrir os olhos e verificar que aquela dolce vita não existe mais. Ela irá relutar até o final. Só que as formigas cansaram de bancar a farra da cigarra. Até quando ela conseguirá cantar assim?
Retirado do http://rodrigoconstantino.blogspot.com/
Constantino, Revista Voto
Apesar do epicentro da crise mundial estar nos Estados Unidos, a economia européia é que foi parar na UTI. Mais especificamente, os países denominados PIGS (Portugal, Itália, Grécia e Espanha, na sigla em inglês) estão passando por um verdadeiro dilema sem fácil solução. A tragédia grega se espalha rapidamente para contaminar os demais membros da União Européia, todos eles vítimas do mesmo tipo de doença. Esta mazela tem nome: chama-se welfare state.
A vida animal numa natureza hostil nunca foi fácil. Não poderia ser diferente para os seres humanos. Sobreviver é uma árdua tarefa, sujeita a inúmeros riscos, além da constante necessidade de labutar para obter os recursos fundamentais. Viver bem então, levar uma “vida digna”, parece uma meta ainda mais audaciosa. Boa parte da humanidade simplesmente viveu ou vive à margem dessas benesses que os povos de nações desenvolvidas pelo capitalismo parecem tomar como certas. E quando a maioria do povo começa a encarar tais condições como “direitos” que são garantidos pelo governo, e não mais como resultado de um sistema que oferece liberdade individual e cobra responsabilidade em troca, eis quando os problemas começam.
Conceitos básicos obtidos pelo bom senso passam a ser ignorados por aqueles que, feito crianças mimadas, sonham que basta bater o pé no chão e pedir para ser atendido. Mas quem vai provê-los de tais “direitos”, na verdade vantagens duramente conquistadas? Ora, o Estado, “essa grande ficção através da qual todo mundo tenta viver à custa de todo mundo”, como dizia Bastiat. Essas pessoas, imbuídas de uma mentalidade coletivista que justifica tudo pelo “social”, esquecem que para alguém desfrutar do direito a produtos feitos pelos homens, outro deve ser obrigado a trabalhar para produzi-los. Afinal, casas, remédios, roupas, alimentos, nada disso cai do céu. Quando um povo ignora como tais recursos são possíveis, quando ele passa a acreditar que basta o governo decretar, e todos os desejos serão realizados, o encontro com a dura realidade será questão de tempo.
E o tempo de ajustes dolorosos para os europeus chegou. O aumento na quantidade de “direitos” oferecidos pelos governos europeus aos seus eleitores foi impressionante nas últimas décadas. Para financiar tais promessas, a carga tributária já subiu a patamares assustadores, fazendo com que um típico europeu tenha que trabalhar quase a metade do ano apenas para pagar impostos. A rigidez das leis trabalhistas, na ingênua crença de que garantiriam segurança aos trabalhadores (já empregados), engessou a economia, dificultando a demissão e, portanto, a contratação de pessoal. Os governos encontraram, como única alternativa para honrar seus gastos excessivos, a opção de emitir dívida. O endividamento desses governos em relação às suas economias chegou a graus insustentáveis em alguns casos.
Enquanto a maré toda está subindo, por conta de choques produtivos com a entrada de bilhões de eurasianos no mercado de trabalho, ou pela manutenção das taxas de juros em níveis artificialmente baixos, tudo parece bem. Mas quando a bolha estoura e a maré baixa, aqueles que nadavam pelados ficam expostos. É justamente este o caso de boa parte da Europa. Seu modelo de welfare state apresenta grande semelhança ao esquema Ponzi de pirâmide. Os trabalhadores novos vão sendo forçados a trabalhar mais para pagar pelos “direitos” dos outros. A previdência social, altamente benigna, no papel, com os aposentados, vai acumulando um rombo explosivo. Ocorre que a demografia não mais ajuda. Os europeus passaram a ter menos filhos. A conta não fecha. E a economia mundial deixou de ajudar, entrando em recessão. A bomba-relógio parece cada vez mais próxima de explodir.
O que deve ser feito é bastante claro do ponto de vista teórico. Esses governos precisam apertar bastante seus cintos, reduzir drasticamente seus gastos, soltar as amarras burocráticas que travam o dinamismo econômico, e deixar o setor privado respirar ares mais livres. Em resumo, a Europa precisa realizar reformas liberais, voltar a aceitar a realidade como ela é. O trabalho precisa ser enaltecido, em vez da vida parasitária à custa dos outros. A responsabilidade, sempre individual, precisa retornar, jogando para escanteio a utopia coletivista. Os fatos devem ser enfrentados. A formiga, enfim, precisa ser mais valorizada que a cigarra.
Há, entretanto, um grave problema na equação: convencer esse povo, agora já acostumado, a abrir mão dos privilégios insustentáveis. Muitos já ameaçam ou até fazem greves gerais, mostrando que não aceitarão, sem luta, regressar à realidade, largar o osso oferecido pelo governo no passado. A cigarra, mesmo doente, não deseja abrir os olhos e verificar que aquela dolce vita não existe mais. Ela irá relutar até o final. Só que as formigas cansaram de bancar a farra da cigarra. Até quando ela conseguirá cantar assim?
Aquecimento nos debates sobre o clima
BBC/BRASIL EM 15/02/2010
Falhas de medição invalidam tese do aquecimento global, diz cientista
Um cientista entre os chamados "céticos do aquecimento global" defende que boa parte dos dados que apontam o aumento da temperatura do planeta devem ser ignorados porque milhares de estações de medição espalhadas pelo mundo estão sendo afetadas por condições que distorcem os seus resultados.
O meteorologista Anthony Watts afirma em um novo relatório que "os dados sobre a temperatura global estão seriamente comprometidos porque mais de três quartos das 6 mil estações de medição que existiam no passado não estão mais em funcionamento".
Watts acrescenta que existe uma "grave propensão a remover estações rurais e de altitudes e latitudes mais altas (que tendem a ser mais frias), levando a um exagero ainda maior e mais sério do aquecimento".
O relatório intitulado "Surface Temperature Records: Policy Driven Deception?" (algo como "Os Registros das Temperaturas da Superfície: Mentira com Motivação Política?", em tradução livre) foi publicado de forma independente, e não em revistas científicas - nas quais os artigos de um autor passam pelo crivo da análise de colegas.
Mas outros pesquisadores apoiam a análise de Watts, incluindo o professor de ciências atmosféricas John Christy, da Universidade do Alabama, que já esteve entre os principais autores do IPCC - o painel da ONU sobre mudanças climáticas.
Evidências
Entre as evidências citadas por Watts para defender sua tese está uma foto que mostra como a estação de medição no aeroporto de Fiumicino, em Roma, está posicionada atrás da pista de decolagem, recebendo os gases aquecidos emitidos pelas aeronaves.
Outra estação de medição está instalada dentro de um estacionamento de concreto na cidade de Tucson, no Arizona.
Essas são situações que, segundo o cientista, afetam o uso dos solos e a paisagem urbana ao redor da estação, refletindo muito mais as mudanças nas condições locais do que na tendência global da Terra.
Na América do Sul, o pesquisador afirma que as estações que medem a temperatura nas altas altitudes deixaram de ser consideradas, levando os cientistas a avaliar a mudança climática nos Andes por meio de uma leitura dos dados na costa do Peru e do Chile e da selva amazônica.
Para o pesquisador, estas falhas tornam "inútil" a leitura dessas medições colhidas em solo. Watts sustenta que o monitoramento via satélite é mais exato e deveria ser o único adotado.
Homem e meio ambiente
O debate provocado pelo professor é lenha no fogo da discussão que opõe cientistas para quem o aquecimento global, se existe, é um fenômeno natural - e tem precedentes na história da humanidade - e cientistas para quem o efeito é causado pelo homem e acentuado pelas emissões de gases que causam o efeito estufa.
Nos últimos anos, os cientistas que alertam para as causas humanas por trás do aquecimento conseguiram fazer prevalecer sua visão, sobretudo no Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês) da ONU, que recebeu inclusive um prêmio Nobel da Paz.
Em uma espécie de "contra-ataque dos céticos do aquecimento", o órgão da ONU foi obrigado no início deste ano a admitir que se equivocou em um dado que apontaria para a possibilidade de as geleiras do Himalaia derreterem até 2035.
No fim de semana, o cientista por trás deste equívoco, Phil Jones, disse à BBC que seus dados estavam mal organizados, mas que nunca teve intenção de induzir ninguém ao erro.
Jones, que é diretor da Unidade de Pesquisa Climática da Universidade de East Anglia, disse estar "100% confiante" de que o planeta está se aquecendo e de que este fenômeno é causado pelo homem.
O cientista afirmou ainda que as disputas entre os pesquisadores - a "mentalidade de trincheiras", como ele se referiu - só prejudicam a discussão objetiva da questão.
COMENTO:
Apesar dos debates e das dúvidas façamos a nossa parte:
1-não joguem lixo na rua
2- reciclem o que for possível
3-Economizem energia.Otimizem seu uso sem desperdício.Isso também reduzirá sua conta a pagar.
4-usema água de maneira racional.Evitem o desperdício.
Falhas de medição invalidam tese do aquecimento global, diz cientista
Um cientista entre os chamados "céticos do aquecimento global" defende que boa parte dos dados que apontam o aumento da temperatura do planeta devem ser ignorados porque milhares de estações de medição espalhadas pelo mundo estão sendo afetadas por condições que distorcem os seus resultados.
O meteorologista Anthony Watts afirma em um novo relatório que "os dados sobre a temperatura global estão seriamente comprometidos porque mais de três quartos das 6 mil estações de medição que existiam no passado não estão mais em funcionamento".
Watts acrescenta que existe uma "grave propensão a remover estações rurais e de altitudes e latitudes mais altas (que tendem a ser mais frias), levando a um exagero ainda maior e mais sério do aquecimento".
O relatório intitulado "Surface Temperature Records: Policy Driven Deception?" (algo como "Os Registros das Temperaturas da Superfície: Mentira com Motivação Política?", em tradução livre) foi publicado de forma independente, e não em revistas científicas - nas quais os artigos de um autor passam pelo crivo da análise de colegas.
Mas outros pesquisadores apoiam a análise de Watts, incluindo o professor de ciências atmosféricas John Christy, da Universidade do Alabama, que já esteve entre os principais autores do IPCC - o painel da ONU sobre mudanças climáticas.
Evidências
Entre as evidências citadas por Watts para defender sua tese está uma foto que mostra como a estação de medição no aeroporto de Fiumicino, em Roma, está posicionada atrás da pista de decolagem, recebendo os gases aquecidos emitidos pelas aeronaves.
Outra estação de medição está instalada dentro de um estacionamento de concreto na cidade de Tucson, no Arizona.
Essas são situações que, segundo o cientista, afetam o uso dos solos e a paisagem urbana ao redor da estação, refletindo muito mais as mudanças nas condições locais do que na tendência global da Terra.
Na América do Sul, o pesquisador afirma que as estações que medem a temperatura nas altas altitudes deixaram de ser consideradas, levando os cientistas a avaliar a mudança climática nos Andes por meio de uma leitura dos dados na costa do Peru e do Chile e da selva amazônica.
Para o pesquisador, estas falhas tornam "inútil" a leitura dessas medições colhidas em solo. Watts sustenta que o monitoramento via satélite é mais exato e deveria ser o único adotado.
Homem e meio ambiente
O debate provocado pelo professor é lenha no fogo da discussão que opõe cientistas para quem o aquecimento global, se existe, é um fenômeno natural - e tem precedentes na história da humanidade - e cientistas para quem o efeito é causado pelo homem e acentuado pelas emissões de gases que causam o efeito estufa.
Nos últimos anos, os cientistas que alertam para as causas humanas por trás do aquecimento conseguiram fazer prevalecer sua visão, sobretudo no Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês) da ONU, que recebeu inclusive um prêmio Nobel da Paz.
Em uma espécie de "contra-ataque dos céticos do aquecimento", o órgão da ONU foi obrigado no início deste ano a admitir que se equivocou em um dado que apontaria para a possibilidade de as geleiras do Himalaia derreterem até 2035.
No fim de semana, o cientista por trás deste equívoco, Phil Jones, disse à BBC que seus dados estavam mal organizados, mas que nunca teve intenção de induzir ninguém ao erro.
Jones, que é diretor da Unidade de Pesquisa Climática da Universidade de East Anglia, disse estar "100% confiante" de que o planeta está se aquecendo e de que este fenômeno é causado pelo homem.
O cientista afirmou ainda que as disputas entre os pesquisadores - a "mentalidade de trincheiras", como ele se referiu - só prejudicam a discussão objetiva da questão.
COMENTO:
Apesar dos debates e das dúvidas façamos a nossa parte:
1-não joguem lixo na rua
2- reciclem o que for possível
3-Economizem energia.Otimizem seu uso sem desperdício.Isso também reduzirá sua conta a pagar.
4-usema água de maneira racional.Evitem o desperdício.
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Contas: Quem paga?
Artigos
13/02/2010
A conta voltou
Carlos Alberto Sardenberg
Sob pressão para apresentar um programa crível de redução de seu déficit, o governo grego está propondo, entre outras maldades: aumentar a idade mínima de aposentadoria, uma elevação imediata dos impostos sobre combustíveis e o congelamento dos salários do funcionalismo. Para tentar conter a ira popular, promete cortar os vencimentos de governantes e dirigentes de estatais.
Governos de Espanha e Portugal lidam com o mesmo dilema. É preciso cortar gastos e aumentar impostos, pois déficits e dívidas públicas passaram dos limites, mas isso se opõe a compromissos e ideologias.
Eis o ponto: a conta chegou mais cedo do que se esperava. Na verdade, lá na Europa, como aqui, muita gente acreditava ter eliminado esse tipo de conta. O gasto público parecia ter se tornado o principal motor da economia. Assim, quem se preocuparia com essas coisas tão aborrecidas quanto austeridade e equilíbrio fiscal? Desgraçadamente, porém, mais uma vez se verificou que dinheiro não sai do nada. É preciso financiar o déficit e amortizar a dívida. Podese, é claro, antes de aplicar as maldades, tomar dinheiro emprestado no mercado internacional (aquele mesmo que causou a confusão em 2008). O mercado exige juros proporcionais à confiança que deposita na capacidade e na disposição do governo de pagar suas contas.
Hoje, por exemplo, o governo grego paga juros bem maiores que o governo brasileiro. Ou seja, o mercado confia no presidente Lula.
É fato. Cuidado, porém, com as conclusões.
Na gestão da crise, aproveitando o embalo internacional, o governo Lula aumentou ainda mais os gastos e a intervenção do Estado na economia. As contas pioraram, a dívida aumentou. Se ainda assim o mercado continua financiando o Brasil e se o presidente ganha prêmios no exterior, isso prova uma mudança de paradigma, certo? Errado.
Na prática, o pessoal do mercado financeiro se preocupa pouco com essas políticas. Quer é receber o seu em dia. Empresta dinheiro quando acredita que o devedor tem condições de pagar. Não importa, por exemplo, se o governo obtém o dinheiro aumentando o imposto da gasolina ou demitindo funcionários ou cortando aposentadorias.
Nem se é um governo de direita ou esquerda. Claro que um regime democrático, no império da lei e dos contratos, é um fator essencial para atrair investimentos.
Mas, digamos, o mercado cobra juros enormes de Chávez não por causa do socialismo bolivariano, mas porque ele conseguiu a proeza de quebrar um país que ganhou rios de dinheiro com o petróleo.
Tudo considerado, a confiança no governo Lula se baseia na crença generalizada, aqui e lá fora, de que as contas públicas serão reorganizadas neste ano, que a dívida voltará a cair, que a inflação ficará na meta e a estabilidade será preservada.
Não se pode concluir simplesmente que o mundo autorizou os governos a gastarem mais. Olhem para Grécia, Espanha e Portugal.
Mesmo estando dentro da Europa, se beneficiando da credibilidade do euro, precisam recorrer às maldades de urgência para acertar contas.
Não é, pois, questão de o governo gastar mais ou menos, mas de manter suas finanças equilibradas.
Os acontecimentos europeus de hoje reforçam a lição de que um equilíbrio permanente acaba sendo menos custoso.
Em resumo, é um erro, sim, o festival de aumento de gastos públicos que continua em andamento por aqui. Estão abusando da confiança.
Estão esquecendo de uma lição que não é nem econômica, mas humana: perde-se a confiança num gesto. E o mercado vota todo dia útil. Os juros sobem em
instantes.
E sabem de mais outra coisa? É uma lástima que ainda se discuta esse tipo de coisa. É um atraso para o país. Basta sair da teoria e cair na prática para se perder o efeito negativo. Por exemplo: enquanto se discute se aeroportos devem ser públicos e privados, continuamos todos amontoados nas filas e atrasados.
Fonte: O Globo - 11/02/2010
COMENTO:
A conta sempre tem que ser paga.E quem sempre paga é a população através do aumento de impostos , de produtos, congelamentos de salários e outras medidas de confisco.
No fim a conta que se faz é a de sempre:Não se deve gastar mais do que se arrecada.
13/02/2010
A conta voltou
Carlos Alberto Sardenberg
Sob pressão para apresentar um programa crível de redução de seu déficit, o governo grego está propondo, entre outras maldades: aumentar a idade mínima de aposentadoria, uma elevação imediata dos impostos sobre combustíveis e o congelamento dos salários do funcionalismo. Para tentar conter a ira popular, promete cortar os vencimentos de governantes e dirigentes de estatais.
Governos de Espanha e Portugal lidam com o mesmo dilema. É preciso cortar gastos e aumentar impostos, pois déficits e dívidas públicas passaram dos limites, mas isso se opõe a compromissos e ideologias.
Eis o ponto: a conta chegou mais cedo do que se esperava. Na verdade, lá na Europa, como aqui, muita gente acreditava ter eliminado esse tipo de conta. O gasto público parecia ter se tornado o principal motor da economia. Assim, quem se preocuparia com essas coisas tão aborrecidas quanto austeridade e equilíbrio fiscal? Desgraçadamente, porém, mais uma vez se verificou que dinheiro não sai do nada. É preciso financiar o déficit e amortizar a dívida. Podese, é claro, antes de aplicar as maldades, tomar dinheiro emprestado no mercado internacional (aquele mesmo que causou a confusão em 2008). O mercado exige juros proporcionais à confiança que deposita na capacidade e na disposição do governo de pagar suas contas.
Hoje, por exemplo, o governo grego paga juros bem maiores que o governo brasileiro. Ou seja, o mercado confia no presidente Lula.
É fato. Cuidado, porém, com as conclusões.
Na gestão da crise, aproveitando o embalo internacional, o governo Lula aumentou ainda mais os gastos e a intervenção do Estado na economia. As contas pioraram, a dívida aumentou. Se ainda assim o mercado continua financiando o Brasil e se o presidente ganha prêmios no exterior, isso prova uma mudança de paradigma, certo? Errado.
Na prática, o pessoal do mercado financeiro se preocupa pouco com essas políticas. Quer é receber o seu em dia. Empresta dinheiro quando acredita que o devedor tem condições de pagar. Não importa, por exemplo, se o governo obtém o dinheiro aumentando o imposto da gasolina ou demitindo funcionários ou cortando aposentadorias.
Nem se é um governo de direita ou esquerda. Claro que um regime democrático, no império da lei e dos contratos, é um fator essencial para atrair investimentos.
Mas, digamos, o mercado cobra juros enormes de Chávez não por causa do socialismo bolivariano, mas porque ele conseguiu a proeza de quebrar um país que ganhou rios de dinheiro com o petróleo.
Tudo considerado, a confiança no governo Lula se baseia na crença generalizada, aqui e lá fora, de que as contas públicas serão reorganizadas neste ano, que a dívida voltará a cair, que a inflação ficará na meta e a estabilidade será preservada.
Não se pode concluir simplesmente que o mundo autorizou os governos a gastarem mais. Olhem para Grécia, Espanha e Portugal.
Mesmo estando dentro da Europa, se beneficiando da credibilidade do euro, precisam recorrer às maldades de urgência para acertar contas.
Não é, pois, questão de o governo gastar mais ou menos, mas de manter suas finanças equilibradas.
Os acontecimentos europeus de hoje reforçam a lição de que um equilíbrio permanente acaba sendo menos custoso.
Em resumo, é um erro, sim, o festival de aumento de gastos públicos que continua em andamento por aqui. Estão abusando da confiança.
Estão esquecendo de uma lição que não é nem econômica, mas humana: perde-se a confiança num gesto. E o mercado vota todo dia útil. Os juros sobem em
instantes.
E sabem de mais outra coisa? É uma lástima que ainda se discuta esse tipo de coisa. É um atraso para o país. Basta sair da teoria e cair na prática para se perder o efeito negativo. Por exemplo: enquanto se discute se aeroportos devem ser públicos e privados, continuamos todos amontoados nas filas e atrasados.
Fonte: O Globo - 11/02/2010
COMENTO:
A conta sempre tem que ser paga.E quem sempre paga é a população através do aumento de impostos , de produtos, congelamentos de salários e outras medidas de confisco.
No fim a conta que se faz é a de sempre:Não se deve gastar mais do que se arrecada.
Outra frase.
A penalização por não participares na política, é acabares por ser governado pelos teus inferiores".
Mais frase.
Frase da semana
"Um dia, milhões de homens deixarão o hemisfério sul em direção ao hemisfério norte. E eles não vão lá como amigos. Porque eles vão lá para vencer. E eles vão conquistar com seus filhos. O ventre das nossas mulheres nos dará a vitória". Houari Boumedienne, então presidente da Argélia, em discurso à ONU em 1974.
COMENTO:
Nos leva diretamente a EURÁBIA.
"Um dia, milhões de homens deixarão o hemisfério sul em direção ao hemisfério norte. E eles não vão lá como amigos. Porque eles vão lá para vencer. E eles vão conquistar com seus filhos. O ventre das nossas mulheres nos dará a vitória". Houari Boumedienne, então presidente da Argélia, em discurso à ONU em 1974.
COMENTO:
Nos leva diretamente a EURÁBIA.
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