quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Os paradoxos palestinos

A duplicidade do Fatah

Escrito por Khaled Abu Toameh | 12 Outubro 2011 | MSM


As mensagens conflitantes provenientes do Fatah lançam sérias dúvidas sobre as verdadeiras intenções da facção. Além disso, essas mensagens criam a impressão de que não há muita diferença entre o Fatah, apoiado pelo Ocidente, e o Hamas.


A duplicidade do Fatah não é um fenômeno novo. Qualquer pessoa que entende árabe e inglês pode notar facilmente as mensagens conflitantes dos líderes e representantes da facção.

A estratégia do Fatah tem sido sempre dizer uma coisa ao mundo exterior e algo completamente diferente aos palestinos.


Talvez a declaração mais perturbadora, no entanto, veio de Abbas Zaki, que é membro-sênior do Comitê Central do Fatah e ex-embaixador da OLP no Líbano. No mesmo dia em que Mahmoud Abbas discursou na ONU (em 23 de setembro), Zaki declarou na Al-Jazeera:

“o objetivo maior não pode ser realizado de uma só vez. Se Israel se retirar de Jerusalém, evacuar os 650.000 colonos e desmontar o muro, o que será do país? Vai acabar. Se dissermos que queremos eliminar Israel, isso não é aceitável. Não diga essas coisas para o mundo. Mantenha-as para si mesmo”.


Assim, enquanto Abbas, o presidente da Autoridade Palestina, estava dizendo ao mundo que os palestinos apóiam a solução de dois Estados, um de seus representantes dizia aos palestinos e ao mundo árabe que o Fatah não desistiu do seu sonho de destruir o Estado judeu.


O exemplo mais recente foi fornecido por Tawfik Tirawi, membro do Comitê Central do Fatah e ex-comandante da Força Geral de Inteligência da Autoridade Nacional Palestina.


Tirawi disse a estudantes universitários que o Fatah nunca “largou o rifle” -- uma indicação de que a facção poderia retomar a opção da “luta armada” contra Israel.


Sua declaração contradiz garantias de outros líderes do Fatah de que eles abandonaram completamente o caminho da violência e buscam uma solução pacífica com Israel.


Tirawi também disse aos estudantes universitários que os palestinos consideram os EUA seu inimigo número um por causa do constante apoio de Washington a Israel.


Novamente, essas observações contradizem declarações do líder do Fatah, Mahmoud Abbas, e de seus assessores, de que os palestinos não querem um confronto com os EUA e procuram continuar cooperando com o governo americano para conseguir a paz no Oriente Médio.


Outros líderes da Fatah, incluindo Nabil Sha'ath, Abbas Zaki e Mohammed Dahlan, também têm afirmado que seu movimento nunca reconheceu o direito de existência de Israel. Eles argumentam que foi a OLP, e não o Fatah, que aceitou a solução de dois Estados, quando assinou os Acordos de Oslo em 1993.


Esses funcionários estão ignorando o fato de que o Fatah é a maior facção da OLP. Declarações de alguns altos líderes do Fatah sugerem que a facção palestina continua a falar em mais de uma voz.


Os líderes do Fatah ainda não se distanciaram das declarações de Tirawi, Sha'ath e Zaki.
Deixar de fazê-lo não só prejudica a credibilidade da facção, mas também põe em dúvida sua confiabilidade como verdadeira parceira para a paz.

Khaled Abu Toameh, um muçulmano árabe, é jornalista veterano, vencedor de prêmios, que vem dando cobertura jornalística aos problemas palestinos por aproximadamente três décadas. Estudou na Universidade Hebraica e começou sua carreira como repórter trabalhando para um jornal afiliado à Organização Para a Libertação da Palestina (OLP), em Jerusalém. Toameh trabalha atualmente para a mídia internacional, servindo como “olhos e ouvidos” de jornalistas estrangeiros na Margem Ocidental e na Faixa de Gaza.

Os artigos de Abu Toameh têm aparecido em inúmeros jornais em todo o mundo, inclusive no Wall Street Journal, no US News & World Report e no Sunday Times de Londres. Desde 2002, tem escrito sobre os problemas palestinos para o jornal Jerusalem Post. Toameh também é produtor e consultor da NBC News desde 1989.

domingo, 2 de outubro de 2011

Mitos e realidades dos grandes eventos

O que Copa e Olimpíadas fazem pelas cidades?
Por RENATA NEDER, da ONG Action Aid

“Bilhões de dólares foram gastos em estádios e outras obras, mas nós permanecemos em barracos sem energia. Eles pediram para a gente “sentir a Copa” [expressão usada no slogan oficial do evento], mas nós não sentimos nada além da dor da pobreza piorada pela dor da repressão. O dinheiro que deveria ser gasto urbanizando as comunidades mais pobres foi desperdiçado. A Copa do Mundo vai terminar no domingo e nós ainda seremos pobres.”

Essa foi a fala de um jovem de Johannesburgo durante a Copa do Mundo de 2010. Reflete o sentimento de muitos sul-africanos em relação ao evento.

Eu estive na África do Sul alguns meses antes do início da Copa. Encontrei um país em obras e muita gente reclamando. Mas, quando os jogos começam, os problemas costumam ser esquecidos. Passada a euforia do momento, começam as discussões sobre os impactos do evento, o uso dos recursos, quem se beneficiou realmente… e por aí vai.

Essa discussão não termina, porque acaba emendando nas discussões daqueles que já estão preocupados com o futuro das suas cidades que serão sede das próximas Copas e Olimpíadas. Já existem muitas informações disponíveis e que merecem atenção.

Em 2010, as Nações Unidas lançaram um relatório sobre o impacto das Olimpíadas nas cidades-sede. Os números são chocantes. Seul (1988): 15% da população foi desalojada, 48 mil edifícios foram destruídos. Pequim (2008): Um milhão e meio de pessoas foram removidas. Atlanta (1996): 15 mil pessoas removidas. E essas remoções e despejos, na maior parte das vezes, foram feitos de forma violenta e desrespeitando direitos básicos da população.

Além do impacto direto das obras e de como elas são feitas, também há o ponto importante de quem realmente se beneficia com a realização destes eventos. Na África do Sul, por exemplo, muitos homens e mulheres artesãos, comerciantes, vendedores, trabalhadores, etc, acreditaram que poderiam se beneficiar e aumentar um pouco sua renda durante os jogos. Mas não foi assim. Os pequenos comerciantes e artesãos não tiveram acesso aos estádios e arredores. Um perímetro de exclusividade foi criado ao redor dos estádios. Ali, apenas as grandes redes e marcas poderiam comercializar seus produtos. Resultado: quem lucrou foram as grandes empresas, não os sul africanos.

E falando em estádio… hoje, apenas um ano depois da Copa, já se discute na África do Sul a demolição de alguns dos estádios construídos. O custo da manutenção é alto demais, não justifica manter o “elefante branco” em pé.

E o que falar dos gastos? A Copa da África do Sul acabou custando 17 vezes mais do que o previsto inicialmente. Cidades que foram sede de mega eventos se endividaram além de suas capacidades e passaram muitos anos pagando a conta. È o caso de Atenas (2004) e Montreal (1976) que sediaram os Jogos Olímpicos.

Quanto mais investigamos, mais vemos cenários desanimadores. Mas, como disse o cientista político Antonio Gramsci, não devemos ficar apenas no pessimismo da razão. Devemos ter o otimismo da vontade.

O otimismo da minha vontade diz que é possível trilhar outros caminhos em que a realização de megaeventos esportivos promova inclusão social, gere renda e diminua desigualdades. Mas o caminho que leva a esse legado é o caminho da participação popular, da transparência, do controle social sobre as políticas e uso de recursos públicos.

O Brasil e o Rio de Janeiro podem aprender muito com outras experiências e escolher um caminho melhor para a realização da Copa do Mundo em 2014 e das Olimpíadas em 2016.

Extraído do sítio da revista “Época”. Leia aqui.

sábado, 24 de setembro de 2011

A hipocrisia

Aula de hoje: Hipocrisia 101 Estudo de caso: O conflito Árabe-Israelense 1. Primeiro ministro da Turquia expulsa Embaixador Israelense, por Israel não se desculpar da defesa de seus soldados contra dezenas de homens armados, que causou 8 mortes, mas bombardeia curdos causando centenas de mortos. 2. Embaixador Israelense expulso do Egito por ser um Estado criminoso, mas Israel cede aos Egípcios 66% do seu território em troca de paz e a população Egípcia assassina o presidente que fez paz com Israel, 40 anos antes. 3. Embaixador Israelense expulso da Jordânia, por não estar alinhado à causa palestina, mas jordânia que controlou por dezenas de anos a Cisjordânia nunca criou um Estado Palestino e massacrou 4000 palestinos no Setembro Negro. 4. Turquia critica muro de proteção Israelense, mas tem um muro de separação no Norte do Chipre. 5. Turquia critica Israel por ocupar terras, mas em pleno século XXI tenta conquistar e invadir terras gregas. 6. 40% das condenações da ONU são contra Israel, mas só nesta ultima revolução morreram mais Libios, do que palestinos desde a criação de Israel. 7. Ahmadinejad fala, na Conferência contra o Racismo, que o Sionismo é a razão do racismo mundial, mas afirma na ONU que a única forma de paz no mundo é Israel ser varrido do mapa. 8. Brasileiros criticam Israel por oprimir os palestinos, mas o IDH deles é maior do que o dos brasileiros e os índices sócio-econômicos são maiores do que quaisquer paises árabes do oriente médio. 9. Notícia sobre 700 civis massacrados na Síria com 0 comentários, mas notícia de que Ariel Sharon deixará Hospital com quase 50 comentários extremistas. 10. Todos falam dos 4 milhões de refugiados palestinos ( que na verdade são 500 mil, mas a ONU super imparcial tem um orgão para os 20 milhões de refugiados do mundo e um VIP só para os palestinos - que criou um direito VIP que qualquer filho, neto, bisneto e assim por diante, incluindo seus cônjuges, mesmo se cidadãos de outro pais, ganham o status e direitos de refugiado palestino), mas ninguém fala dos 1 milhão de refugiados judeus dos países árabes. 11. Israel é criticado por "força desproporcional" quando liga e manda sms avisando que vai bombardear tal lugar porque é um ponto de lançamento dos cerca de 10 mísseis diários disparados contra cidadãos Israelenses, mas a OTAN bombardeia e mata dezenas de civis na Líbia pra não dizer dos bombardeios em cidades inteiras da Segunda Guerra

domingo, 11 de setembro de 2011

Alguma novidade nisso?

11/09/2011

A Copa do Mundo e a pior de todas as corrupções: a do estado de direito


O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, recorreu ao Supremo contra a tal lei que institui o regime diferenciado para as obras da Copa do Mundo e da Olimpíada. Entenda-se por “regime diferenciado” o relaxamento dos critérios para a aferição de custos. Nos corredores de Brasília já se acusa o procurador de estar retaliando o governo por causa do reajuste do Judiciário. A lei especial é tão escancaradamente inconstitucional que a especulação sobre a disposição subjetiva de Gurgel é expressão de pura má fé. E que se note: ainda que assim fosse, não seria outra a natureza do texto. Vejam em que lama institucional o PT meteu o país.

Estaríamos, então, diante da seguinte escolha: ou o Brasil cumpre a lei, e as obras da Copa não ficariam prontas a tempo, ou, então, as descumpre, e essa seria uma condição necessária para que não se assistisse a um grande vexame: se a Fifa perceber que a coisa caminha para a breca, muda a tempo a sede do torneio. Há países com infra-estrutura adequada para receber o evento, bastando alguns ajustes. O que há de particularmente interessante nisso é que o PT não inova; ao contrário, pode-se dizer que age até com método. No poder, o partido é um notório desrespeitador da lei e das instituições, que passam a ser consideradas empecilhos à boa governança.

É impressionante que o debate esteja posto nestes termos: “Ou se segue a lei ou se faz a Copa”. Infelizmente, essa abordagem começa a ganhar setores da imprensa respeitável. Estudo recente do IPEA demonstra que, dado o ritmo dos trabalhos, estádios, portos, aeroportos e as obras de mobilidade nas cidades-sede não estarão prontos a tempo. Muito bem! E qual é, então, a saída? Ora, mandar a lei e a Constituição às favas e adotar o tal regime especial!!! Fala-se isso abertamente. É como se indagassem: “Só faltava agora a gente não fazer a Copa só por causa da ordem legal!!!”

Da forma como as coisas caminham, a Copa do Mundo de 2014 tem tudo para atingir o estado da arte da roubalheira Hoje, com algumas poucas obras mal saindo do papel, já se tem um show de desinformação. Reportagem da Folha traz um dado impressionante (em azul):
O Portal da Transparência do governo, montado pela Controladoria-Geral da União, diz que a Copa custará R$ 23,4 bilhões. A Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), que tem acordo de cooperação técnica com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e o Ministério do Esporte, trabalha com outros números. Estima em R$ 112 bilhões o custo total do Mundial e em R$ 84,9 bilhões, se considerado o recorte feito pelo Portal da Transparência, com o cálculo incluindo só aeroportos, portos, segurança, arenas e mobilidade urbana .

Não foi nenhum grupo inimigo ou interessado em derrotar o petismo que divulgou os dados. Ao contrário: a Abdib, como se informa acima, trabalha em parceria com a CBF e com o Ministério dos Transportes. O que farão os ministros do Supremo? Não tenho a menor idéia. E é ruim não ter. Afinal, a tarefa daqueles 11 (por enquanto, 10) não é tornar viáveis aeroportos, portos, estrada ou metrô. Isso está fora da alçada do Judiciário. A sua tarefa é fazer valer a lei. Seu papel não é julgar segundo o clamor — público ou privado —, mas segundo o que vai na Carta. O maior de todos os vexames seria tomar uma decisão de caráter político.

Só estamos diante deste falso dilema — ou a Copa do Mundo ou a lei — porque o governo Lula foi de uma estúpida incompetência. Passou dois longos anos fazendo proselitismo sobre o evento sem sair do lugar. Nesse particular, esses nove primeiros meses do governo Dilma não inovam. Há quase três anos, pois, os petistas se quedam inertes Quando decidiram agir, descobriram que havia leis no meio do caminho. E agora nos propõe um plebiscito indecoroso: “Copa com esculhambação ou decência sem Copa”. Que gente é essa, santo Deus!? E cumpre lembrar: a Dilma ministra foi uma das pessoas que impediram a privatização dos aeroportos, por exemplo.

Numa democracia, essa oposição ente ordem legal e pragmatismo ilegalista é uma aberração. Se a moda pega, toda e qualquer urgência serão definidas por legislação de exceção, a exemplo do que fazem as ditaduras. Nestes dias, em que milharas marcham contra a lambança e a impunidade, o PT se mobiliza para a mais grave de todas as corrupções: a do estado de direito. Espero que o Supremo faça essa gente meter o rabo entre as pernas - ou será coadjuvante de uma tramóia bilionária.
Por Reinaldo Azevedo

COMENTO:
É a cultura nacional:O brasileiro não gosta de seguir regras, cumprir leis.O exemplo vem de cima e se estende para baixo em todas as camadas sociais.

sábado, 10 de setembro de 2011

Uma análise realista e detalhada da primavera Arabe.

Análise estratégica das revoltas nos países árabes

Escrito por Heitor De Paola | 03 Agosto 2011
Internacional - Oriente Médio


Esperar que movimentos islâmicos instaurassem a democracia e a liberdade equivale a esperar que uma passeata de prostitutas restaure a moralidade.

Um jornalista (sic) que se autodenomina 'especialista' em Oriente Médio contestou a afirmação que fiz no último artigo de que os planos da Al Qaeda seriam facilmente endossados, com mínimas discordâncias, pela Fraternidade Islâmica e outros movimentos políticos, religiosos ou terroristas, pois segundo ele a Fraternidade não apóia grupos terroristas, nem tem vínculos com a Al Qaeda. Ora, um 'especialista' em Oriente Médio deve no mínimo entender alguma coisa de estratégia e saber que divergências táticas jamais impediram alianças estratégicas. Dei a ele a resposta que aqui coloquei em epígrafe.

Como já adverti em artigos anteriores, as discussões diplomáticas e a avaliação estratégica dos países islâmicos não podem ser desenvolvidas com base em pré-concepções ocidentais exclusivamente judaico-cristãs, tais como democracia, liberdade, livre iniciativa, direitos trabalhistas e das minorias, etc. Estes conceitos e estas crenças não pertencem ao universo mental, conseqüentemente, nem à religião nem à ideologia islâmicas, totalmente baseadas na submissão a Allah e seu Profeta Mohamed tal como prescrita no Corão, nos Haddithim e na Sunna. Aqueles conceitos só podem ser aplicados aos povos ocidentais, nunca a quaisquer outros povos. Sejam hinduístas, xintoístas, budistas, animistas e outros todos os que falam em democracia o fazem dentro de parâmetros mentais totalmente diversos dos nossos, tornando as negociações numa conversa de surdos. Um conceito totalmente desconhecido fora do Ocidente é o de liberdade individual. Quando se negocia com estes outros povos deve-se levar em consideração que quando falam em liberdade estão se referindo a outra coisa qualquer, jamais à liberdade individual, para nós o bem maior. Para os muçulmanos, então, esta é completamente desconhecida e mais ainda: desejá-la é uma heresia, um atentado contra a submissão corânica.

Falta aos ocidentais o conhecimento de um princípio fundamental do Islam: al Taqiyya: 'o sagrado direito à fraude, de mentir em nome da maior glória de Allah. A falsidade para impedir as ofensas ao Islam, para se proteger, ou para promover a causa do Islam é aceita e estimulada pelo Corão e pela Sunna, incluindo a mentira sob juramento perante uma corte. Um muçulmano está autorizado a negar ou denunciar sua própria fé se, ao fazer isto, ele estiver protegendo os interesses do Islam, desde que, em seu coração, ele permaneça fiel'. A Taqiyya vem sendo usada desde o século VII para confundir e dividir o inimigo. É derivada dos antigos hábitos tribais beduínos[2]. Embora muitos estudiosos advoguem que seja um hábito puramente xi'ita, na verdade é inerente ao Islam como um todo.

Ibn Abbas comentava que "al-Taqiyya é uma expressão exclusivamente da língua, enquanto o coração permanece confortado com a fé". Significa que à língua é permitido expressar qualquer coisa, desde que o coração não seja afetado. Abd Ibn Hameed, sob a autoridade de al-Hassan, disse: "al-Taqiyya é permitida até o Dia do Juízo, somente então não poderá ser usado"[3]. É exatamente este estratagema que permite dizer que o Islam é uma 'religião de paz' enquanto matam mais dos que os comunistas e nazistas o fizeram[4].

Origens dos distúrbios que afetam os países árabes [5]

A análise de Barry Rubin, Who Really Made Egypts Revolution?: The Story The Media Missed mostra a especificidade do discurso que animou a chamada "primavera da Praça Tahir'. Rubin não nega que alguns membros do movimento pediam eleições livres, o fim da ditadura de Mubarak e seus líderes visíveis genuinamente desejavam alguma forma de democracia e direitos humanos - mas não os direitos individuais.

"Porém os elementos bem organizados por trás das manifestações têm uma interpretação de democracia bastante diferente da definição Ocidental deste conceito (...) A idéia de que os inimigos daquela ditadura são radicalmente hostis ao Ocidente e favoráveis ao Islam nem passa pela cabeça dos observadores ocidentais".

Do ponto de vista da maioria dos militares egípcios e dos envolvidos na revolução o Islam é a única resposta contra a detestável ocidentalização dos costumes, com incremento da criminalidade e da injustiça. "Os militares vêem no Islam a resposta para os problemas de identidade, justiça social e estabilidade interna". Portanto, um Egito muçulmano é muito mais atraente do que o do ocidentalizado Mubarak, assim como o Xá era detestado no Irã e por sua tentativa de modernização é que foi derrubado. Mesmo que não queiram um Estado dominado pela Fraternidade, eles estão abertos para uma maior influência da mesma nas regras religiosas, ao mesmo tempo em que existe um profundo sentimento de ódio a Israel, à América e ao Ocidente.

O noticiário sobre a 'primavera árabe', a derrubada de ditadores e a imposição da democracia, dá mostras de refluir para as páginas centrais. Alguns, já começam a desconfiar que a tal primavera não passa de um inverno - ou inferno! Chinmaya R. Gharekhan publicou dia 22 de junho no The Hindu, um artigo intitulado Is Arab Spring wishful thinking?, no qual afirma:

"as expectativas e esperanças engendradas pelos eventos na Tunísia e no Egito parecem ter se mostrado baseadas apenas em wishful thinking e não numa avaliação cuidadosa e acurada das características específicas de cada país Árabe e nos interesses de potências estrangeiras que desejavam dirigir os acontecimentos numa determinada direção (...). Precisamos esperar para ver que rumo os acontecimentos vão tomar".

A análise de Chinmaya R. Gharekhan abrange outros países da região, como Líbia, Síria, Yemen e Bahrein.

Embora o jornalismo indiano esteja anos luz à frente dos seus colegas brasileiros, divididos entre imbecilóides arrogantes e outros comprometidos com a expansão das forças globais que ameaçam a civilização ocidental, parece-me um pouco tarde para apenas desconfiar! Desde 18/02/2011 comecei uma série de artigos (Ignorância, mentiras e idiotices em relação aos distúrbios no Oriente Médio), seguido de outro para o Jornal Visão Judaica (O cerco a Israel), além de publicar textos de Donald Hank, Molares do Val, do site de Inteligência STRATFOR, de Ivanaldo Santos, e outros, onde esta ilusão de 'movimento pela democracia' era mostrada com clareza e profundidade de análise como uma claríssima mentira inventada pelas potências ocidentais na defesa de seus próprios interesses.

Os fundamentos ideológicos da "democracia" árabe

Em 2008 o University of Maryland's Program on International Policy attitudes, realizou uma pesquisa no Egito sobre as preferências políticas do povo. Os resultados mostraram claramente o que os egípcios entendem por democracia: Embora 82% tenham se mostrado a favor de algo que chamam "democracia", 73% apoiavam a aplicação mais estrita da Lei Islâmica (Shari'a). Destes, 68% defendem aplicação da Shari'a para regulamentar o comportamento moral dos cidadãos 64% defendem as punições tradicionais como apedrejamento para adúlteras 62% querem que o governo policie a vestimenta das mulheres e 59% apóiam o uso da Shari'a como a única Lei. Um ano antes a mesma Universidade conduziu uma pesquisa de opinião no Egito, Marrocos, Paquistão e Indonésia. 60% responderam que a "democracia" era desejável para seus países, mas 71% concordaram com a 'estrita aplicação da Shari'a em todos os países islâmicos''. Tais resultados sugerem que a idéia de democracia naquela região se restringe à realização de eleições sem incluir nem sombra de direitos individuais, exatamente o que temiam os Founding Fathers quando aprovaram a Constituição Americana e as primeiras dez Emendas, o Bill of Rights.

Vejamos a situação como se apresenta em alguns desses países.

TUNÍSIA: Possivelmente a Tunísia é o único país norte africano capaz de evoluir para uma forma realmente democrática de governo que inclua alguns direitos individuais. Como aponta Bruce Maddy-Weitzman, quatro fatores são favoráveis: (1) uma entidade nacional compacta e bem definida, com forte sentimento nacional e com tradição de economia de mercado e trocas com o exterior; (2) sofreu um processo de modernização importante, com uma classe média culta, o banimento da poligamia e a menor taxa de crescimento populacional de todo o mundo árabe; (3) a tradição de uma sociedade civil atuante e (4) forças armadas de pequeno porte, não politizadas e que se recusaram a substituir o poder civil após a queda do governo ditatorial.

LÍBIA: Por que os bombardeios da OTAN e dos EUA, alegadamente apenas para derrubar Kadhafi, estão destruindo sistematicamente toda a infraestrutura do País e matando civis? Afastado Kadhafi, o que está cada vez mais difícil, o que farão com uma Líbia destruída? Quem reconstruirá a infraestrutura do país, senão empreiteiras ocidentais? Quem tomará conta do petróleo líbio? Entre os revoltosos de Benghazi alguns portavam a velha bandeira dos tempos do Rei Ídris I, com quem era mais fácil para as grandes multinacionais petrolíferas negociarem vantajosamente, principalmente a italiana Ente Nazionale Idrocarburi (ENI). O fato é que podem estar enganados e entregar o poder para fanáticos muçulmanos, pois Idris era o líder da Irmandade Senussi, uma seita antiocidental que pratica uma forma austera e conservadora do Islam, e a estratégia pode sair um tiro pela culatra. Seu avô, Sayyid Muhammad ibn Ali as-Senussi, foi o fundador da religião inspirada no wahabismo dominante na Arábia Saudita.

Além dos monarquistas e de uma minoria de supostamente democratas, outras duas facções podem ser identificadas no Libyan National Transitional Council (NTC): extremistas islâmicos, aliados dos monarquistas, que podem ser chamados de monarquitas-fundamentalistas, que almejam estabelecer um Estado Religioso e elementos até então ligados a Kadhafi que o abandonaram por oportunismo.

Estudos franceses citados por John Rosenthal no National Review em Al-Qaeda and the Libyan Rebellion mostram que membros do Libyan Islamic Fighting Group filiado à Al Qaeda constituem o principal pilar da insurreição, portanto a 'coalizão militar da OTAN está apoiando terroristas islâmicos (...). É inegável que os rebeldes líbios que Washington apóia, há pouco tempo estavam matando soldados americanos no Iraque', onde foram recrutados por Abdul-Hakim al-Hasadi, um ex combatente no Afeganistão que foi preso pelos americanos em 2002 e solto na Líbia em 2008. al-Hasadi é o comandante de uns mil homens nas cidades de Damah e Bin Jawad, no leste da Líbia[6].

Quem leu meus artigos anteriores verá que estas não são novidades... Eu apenas acrescento que Barack Hussein Obama sabe perfeitamente disto e é de sua estratégia entregar o Oriente Médio aos jihadistas da Al Qaeda e aos fundamentalistas islâmicos.

EGITO: As autoridades militares provisórias do Egito, além de reabrirem a fronteira com a Faixa de Gaza sem consultar Israel nem denunciar oficialmente o acordo entre ambos, concederam licença de inscrição como partido político ao mais antigo movimento islâmico do país, a Fraternidade Muçulmana (fundada em 1928). Simultaneamente conseguiram organizar também um novo partido, Hizb al-Nour, de origem salafita. Nada menos que quatro partidos salafitas estão em processo de formação desde a queda de Mubarak. Mas com a formação estimulada pelos militares do Hizb al-Nour é a primeira vez que um grupo salafita aceita participar de eleições relativamente livres, pois, diferentemente do fingido núcleo islâmico central, eles e os wahabitas aos quais muito se assemelham, se opõem claramente à ordem democrática e à elaboração de leis humanas não emanadas diretamente do Corão. Para estes grupos radicais que incluem jihadistas, a democracia é anti-islâmica porque é um sistema que permite aos homens se apoderarem do direito de fazer leis, exclusivo de Allah.

Salafi é uma palavra árabe que significa sunitas seguidores da Salaf islâmica, que pode ser traduzida por 'predecessores' ou 'ancestrais': as três primeiras gerações islâmicas, os Sahaba (companheiros de Mohammed), os Tabi'un (seguidores) e os Tabi' al-Tabi'in (os que vieram imediatamente depois dos seguidores), que são exemplares de como o Islam deve ser praticado através de uma interpretação estrita da Escritura.

Assim também são os wahabitas, seita sunita predominante na Arábia Saudita, seguidores de Muhammad ibn Abd-al-Wahhab, que preconizava no século XVIII purgar o Islam de todas as inovações surgidas nos últimos séculos, consideradas heréticas.

Teoricamente a aceitação de uma limitada democracia por parte dos salafitas significaria um passo muito grande rumo à democratização do Islam. No entanto, analistas conhecedores das intricadas relações entre grupos políticos egípcios, acreditam que seja uma jogada dos militares para impedir a quase certa maioria da Fraternidade em eleições gerais, aliada aos jihadistas do Al Qaeda e outros grupos. Opondo dois poderosos grupos ultraconservadores estariam pretendendo assumir o papel da fiel da balança e, se possível, a eternização no poder como uma espécie de 'poder moderador'. Tais mudanças aparentemente são temidas pela Arábia Saudita, acossada pelas potências xi'itas do Golfo Pérsico, principalmente o Irã e as maiorias no Iraque e Bahrein - além das minorias xi'itas dentro de suas fronteiras, cada vez mais fortes na franja petroleira do Golfo, no Iemen e nos Emirados. Ocorre que existem salafitas em seu território exigindo mudanças desde 1990 sem sucesso e seu crescimento poderia desestabilizar a 'ilha de tranqüilidade' em que vivem os sauditas sob mãos de ferro de seus sete mil príncipes. [7]

SÍRIA: Este país de maioria sunita é controlado por um exército alawita, um dos ramos mais radicais da facção xi'ita do Islam o que implica numa situação inusitada entre os países árabes. Os alawitas existem há mais de mil anos predominantemente nas montanhas Jabal al-Nusayriyah no noroeste da Síria constituindo uma população de 1.6 milhão ou 13% da população do país. Os demais 600 mil distribuem-se pela Turquia e Líbano. Praticam uma religião sincrética e esotérica que mistura o Islam com tradições religiosas babilônicas, helênicas, persas e cristãs. Embora seu nome derive de Ali, genro do Profeta, são considerados hereges pelos sunitas em função deste sincretismo. Não possuem mesquitas e as reuniões religiosas se dão nas casas dos fiéis.

Pois é deste povo que são constituídas as forças militares, firmemente controladas pelos Assad e por eles protegido. Isto reduz em muito as possibilidades de pressão militar pela queda de Assad, diferentemente da Tunísia e do Egito, apesar da presença de alguns comandantes sunitas recentemente promovidos. A terra natal dos Assad, Kardaha, fica em plenas montanhas alawitas. Mas estes não constituem uma religião homogênea, são divididos em várias tribos e quatro ramos de sub-seitas que não se entendem entre si. Isto pode levar a uma luta interna que enfraqueça o exército e o poder de Assad. As diversas facções se uniram para apoiar Hafez Assad que os protegia dos levantes sunitas como os que ocorreram na década de 1970. Desde então a sorte de toda a comunidade está inseparavelmente ligada ao clã Assad. Porém podem ser confrontados agora com a necessidade de tomar outras decisões. Tudo depende da medida em que sejam respeitados e legitimados por outras forças[8].

Shari'a versus secularismo

Os especialistas árabes discutem há muito se alguns princípios democráticos poderiam ser introduzidos num sistema islâmico baseado na shari'a[9] e, se isto for viável, qual a melhor forma de fazê-lo. Muitos defendem que a introdução da lei islâmica com mais vigor, seria vital nas autocracias árabes, equivaleria ao nosso rule of law limitando a ação dos autocratas na medida em que tais regimes não seguem lei alguma, a não ser a prática ditatorial personalista.

Para os que pensam assim o chamado da Shari'a não seria um apelo ao sexismo, ao obscurantismo ou às punições selvagens. Outros como Abdullahi Ahmed An-Naim, professor de Direito na Emory University, consideram que o governo secular seria a melhor forma de usar o poder coercitivo da Shari'a como lei do Estado e não religiosa. As opiniões variam quanto a qual a melhor forma de balancear a lei islâmica com a lei secular. De maneira geral existem três formas principais usadas pelos países islâmicos: o duplo Sistema Legal, o Governo de Deus e os completamente seculares.

DUPLO SISTEMA LEGAL: A maioria segue um duplo sistema no qual o governo é secular, mas os muçulmanos podem escolher levar as disputas familiares e financeiras a tribunais baseados na Shari'a. O limite entre ambos é extremamente variável de país para país. O único que segue estritamente este princípio é o Qatar. Em outros países como Nigéria e Quênia as disputas quase sempre resolvidas pelos tribunais religiosos incluem casamento, divórcio, problemas de herança e guarda das crianças. Na Tanzânia existe uma variante: a decisão por qual Corte deve ser usada depende da tradição ancestral dos contendores. O Líbano e a Indonésia têm jurisdições mistas baseadas nos resíduos do sistema legal colonial suplementados pela shari'a.

O GOVERNO DE DEUS: Predominante em todos os países onde o Islam é a religião constitucional, a shari'a é considerada como a única fonte da Lei por ser a Lei que Emana de Deus através do Corão transmitido pelo Profeta Mohamed. Seguem este princípio a Arábia Saudita, Kuwait, Bahrain, Iemen e Emirados Árabes Unidos. No Paquistão, Egito, Irã e Iraque é proibido aprovar leis contrárias ao Islam. A interpretação mais estrita é seguida pela Arábia Saudita, onde existe uma polícia religiosa que pode revistar as mulheres, estas não podem dirigir carros, nem sair sem ser acompanhada por um homem - marido, irmão ou filho - e devem se mostrar completamente cobertas em público. Já nos Emirados as bebida alcoólicas são toleradas e existem jurisdições especiais para não muçulmanos.

TOTALMENTE SECULARES: Azerbaijão, Tadjiquistão, Chade, Somália e Senegal. A Turquia é um caso à parte. O secularismo foi imposto pela Revolução de 1923-4 comandada por Mustafá Kemal Atatürk com a abolição do Sultanato e do Califado, reconhecimento de direitos iguais de homens e mulheres, reforma das vestimentas tradicionais, abolição de títulos e do dízimo, adoção do calendário internacional. Mas principalmente a abolição da lei canônica, a instituição de um código civil e unificação da educação para todos. Estas mudanças são garantidas pelos militares que têm a missão constitucional de impedir que a lei islâmica substitua a civil e o estabelecimento de uma teocracia. Na atualidade o Partido do Desenvolvimento e Justiça Islâmico do Primeiro-Ministro Recep Tayyip Erdogan ameaça a adoção de leis islâmicas. No entanto, segundo conhecedores profundos do país, mesmo ocorrendo a diminuição do poder dos militares, dificilmente haverá um retorno ao passado, pois diferentemente de outros países, não somente os mecanismos democráticos, mas também os direitos individuais e o Rule of Law ocidental já estão entranhados na mentalidade dos turcos. [10]

Conclusões:

Conforme as informações aqui esboçadas e a opinião de especialistas no assunto, podemos concluir que:

1- O Islam é incompatível com qualquer noção de liberdade individual e, portanto é improvável, senão impossível, o estabelecimento de um regime semelhante às democracias ocidentais

2- Os que exultam com o surgimento de tal regime como resultado das revoltas em andamento se baseiam muito mais em wishful thinking do que numa avaliação acurada das condições reais.

3- Pode-se esperar em alguns países, como a Tunísia, um regime baseado em eleições gerais que simulem uma democracia.

4- Mesmo nestes países a possibilidade de que eleições levem a um regime autoritário, como ocorreu no Egito com a queda da monarquia em 1956, ou o estabelecimento de partidos únicos controlados pelo clero, ou teocracias como o Irã.

5- Embora possa haver o estabelecimento de uma constituição que preveja eleições periódicas e multipartidarismo, é extremamente dubitável que isto ocorra na prática. De maneira geral os observadores ocidentais da mainstream media se conformam com documentos pomposos que jamais serão seguidos.



Notas:

[1] Este texto reúne as Partes IV das séries Subsídios para entender o Islam e Ignorâncias, Mentiras e Idiotices em Relação aos Distúrbios do Oriente Médio publicadas em meu site www.heitordepaola.com e no Mídia Sem Máscara www.midiasemmascara.com.br

[2] Ver mais detalhes em http://www.islam-watch.org/Warner/Taqiyya-Islamic-Principle-Lying-for-Allah.htm

[3] Ver outras referências e comentários em http://www.al-islam.org/encyclopedia/chapter6b/1.html

[4] Embora não esteja no escopo deste artigo, é este estratagema mentiroso que permitiu que um muçulmano nascido no Quênia fosse eleito Presidente dos Estados Unidos e continue mentindo com a maior cara de pau, porém mantendo inabalável a crença em seu coração! Voltarei a este tema em breve.

[5] Uma boa cobertura cronológica, país a país, pode ser consultada no Washington Post Foreign Policy neste link http://www.washingtonpost.com/wp-srv/special/world/middle-east-protests/

[6] Mais sobre al-Hasadi em http://pajamasmedia.com/blog/rebel-commander-in-libya-fought-against-u-s-in-afghanistan/, http://www.weeklystandard.com/blogs/unknown-libya_555447.html, http://www.ilsole24ore.biz/art/notizie/2011-03-21/reportage-ribelli-islamici-tolleranti-231527.shtml?uuid=Aa6nhTID

[7] Após a publicação deste artigo, na última semana de julho, ocorreu o assassinato de um dos líderes revolucionários, General Abdel Younes, comandante do exército da oposição líbia. Segundo o ministro do Petróleo do Conselho Nacional de Transição (CNT), Ali Tarhouni, Younes foi morto por seus próprios comandados, tendo aberto uma cisão dentro do CNT e abalado a confiança dos revoltosos em seus aliados.

[8] Para mais detalhes ver http://www.huffingtonpost.com/dr-josef-olmert/bashar-assad-the-alawite-_b_853355.html

[9] Para Shari'a ver ainda http://www.heitordepaola.com/publicacoes_materia.asp?id_artigo=1937, http://www.jihadwatch.org/2011/03/the-sharia-catechism.html

[10] Na última semana de julho os Comandantes das Forças Armadas turcas renunciaram em bloco, evidenciando o profundo descontentamento com o governo de Erdogan, confirmando o que escrevi.




Publicado no Digesto Econômico da Associação Comercial de São Paulo.

O que a imprensa não divulgou.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Israel detém células terroristas do Hamas horas antes de atentado




Um trabalho conjunto que uniu forças do
Shabak, do Exército de Defesa de Israel e
da polícia.

O Serviço Secreto Interno de Israel (Shabak) desbaratou um atentado suicida no mês passado em Jerusalém, segundo o que foi dado a conhecer no dia de hoje. O cinto carregado de explosivos foi apreendido 24 horas antes do ataque planejado. O artifício já havia ingressado na capital, mais precisamente no bairro de Ras el Amud.


A extensa operação antiterrorista foi um trabalho conjunto que uniu forças do Shabak, do Exército de Defesa de Israel e da polícia contra a infraestrutura militar do Hamas na Cisjordânia e em Jerusalém. Na operação, foram dezenas de membros do Hamas, que atuavam em 13 células separadas, foram detidos.

A célula principal, encarregada pelos ataques, tinha sua base em Hebrom e estava em contato com o quartel general do Hamas em Damasco (capital da Síria). Essa célula havia determinado a data do atentado para o dia 21 de agosto. O Hamas havia planejado usar um extintor de incêndio carregado com seis quilos de explosivos. O dispositivo deveria ser ativado num ônibus ou num centro comercial do bairro Pisgat Zeev (em Jerusalém) por um terrorista suicida. O terrorista em questão foi identificado como Said Qawasmeh, de 20 anos, residente de Hebrom.


Esta mesma célula foi responsável pelo atentado de 23 de março em frente ao Centro Internacional de Convenções (Binianei Haumá), próximo à parada de ônibus de Jerusalém, onde foi assassinada a turista britânica Mary Jean Gardner e outras 47 pessoas ficaram feridas.


O serviço secreto destacou os esforços expressivos que o Hamas tem dispensado para restaurar a infraestrutura de sua ala militar e executar ataques contra objetivos israelenses. O Shabak ressalta que a principal meta da organização fundamentalista islâmica é o sequestro de um soldado para negociá-lo pela liberdade de presos palestinos.


Outra célula terrorista, que incluía cerca de 20 militantes, descoberta pelo Shabak, operava a partir do presídio de Ketziot. O grupo recrutava prisioneiros palestinos que seriam libertos com o objetivo de tratar o sequestro de um soldado israelense.


Uma das células desbaratadas operava a partir de Hebrom, sob as ordens da direção do Hamas em Gaza. O objetivo da célula era, também, o sequestro de um militar, sua transferência ao Sinai e, dali mesmo, por meio de túneis, transferi-lo para a Faixa de Gaza. O líder da célula, Ahmad Madhoun, de 44 anos, de Hebrom, recebeu 10 mil dólares durante a sua visita à Arábia Saudita, para a compra de armas a serem utilizadas na operação.


Fonte: Aurora
Tradução: Jônatha Bittencourt - Editor de www.cessarfogo.com / De Olho na Jihad

terça-feira, 28 de junho de 2011

Flotilha por Shalit

Hamas rejeita pedido da Cruz Vermelha sobre provas de vida do soldado Gilad Shalit.



No último dia 23 de junho, o grupo terrorista Hamas rejeitou um pedido da Cruz Vermelha Internacional para que provasse que o soldado israelense, Gilad Shalit,ainda está vivo. O porta-voz do grupo terrorista, Salah Bardawi, acusou Israel de ter solicitado a Cruz Vermelha a informação, para que pudessem descobrir o paradeiro do soldado e assim realizarem uma operação de resgate. Bardawi disse que a única forma de Israel receber informações sobre Gilad Shalit é libertando prisioneiros palestinos. A Cruz Vermelha expressou preocupação com a prisão de Shalit e disse que segundo as leis internacionais a família deve ser autorizada a manter contato com o preso. É claro que isso não ocorre, já que Shalit não é um preso político, e sim um refém de um grupo terrorista.


Neste sábado 25.06.2011 se completam 1.825 dias em que o jovem soldado israelense foi capturado durante um ataque terrorista dentro do território de Israel, junto a Faixa de Gaza. Gilad Shalit que estava apenas no primeiro ano de seu serviço militar naquela fronteira.


Gilad Shalit foi o único sobrevivente de um ataque terroristas que ocorreu na manhã de 25 de Junho de 2006. Uma quadrilha de terroristas do Hamas conseguiu atravessar a fronteira através de um túnel que haviam escavado junto a Kerem Shalom, uma comunidade agrícola israelense na região.
Durante o ataque os terroristas atacaram um tanque com um míssil, o que levou a morte do oficial do tanque Hanan Barak e outro soldado da equipe Pavel Saluketzer, e mais quatro soldados que estavam no posto ao lado do tanque ficaram gravemente feridos durante o incidente.


Gilad Shalit que estava no tanque durante o incidente provavelmente foi gravemente ferido durante o incidente e arrastado para o território do Hamas, onde permanece em cativeiro por estes cinco anos.


Segundo um porta-voz dos grupos terroristas, o incidente foi programado e treinado por mais de dois meses antes do ataque.


As condições de cativeiro do soldado são completamente desconhecidas, os grupos terroristas dizem que ele está sendo bem tratado conforme as leis islâmicas, porém as mesmas leis são conhecidas como cruéis e desumanas na maioria dos casos, o que leva a morte dos cativos, como no caso do jornalista Daniel Pearl, o jornalista americano que foi decapitado em Karachi no Paquistão, pelas mãos do Al Qaida.


Devido a falta de comunicação, a incerteza da saúde ou mesmo da vida de Gilad Shalit é grande, visto que o grupo terrorista Hamas ignora todas as tentativas de visita da Cruz Vermelha ou de qualquer outra representação diplomática.


O governo de Israel recebeu em 20 de Setembro de 2006 uma primeira carta escrita pelo soldado desde o cativeiro, outra carta chegou as mão do governo em 4 de Fevereiro de 2008 chegou outra carta nas mão do Governo de Israel e em 9 de Junho de 2008 uma carta chegou nas mãos da organização de Jimmy Carter, ex-presidente americano.


Dia 25 de Junho de 2007 a Hamas publicou uma fita de vídeo em que o soldado aparecia segurando um jornal em árabe e lendo uma carta para os seus parentes que havia sido ditada pelos seus opressores, nota-se nas palavras a gramatica árabe, demonstrando que eles não tinham bom conhecimento de Hebraico, utilizando a gramatica típica árabe, sua palavras foram assim selecionadas e os ruídos do fundo foram apagados afim de evitar a identificação do local de cativeiro do soldado.


Os pais de Gilad Shalit, Noam e Aviva Shalit deixaram desde então o conforto de seus lares vindo a residir junto a sede do Governo de Israel, em uma tenda, com o objetivo de dar suporte ao seu filho e aumentar a pressão sobre o governo para agir em prol de sua libertação. Desde então, os familiares e muitos outros que aderiram a causa de Shalit tem realizado passeatas, protestos, campanhas e diversas outras atividades para que o país e o governo não esqueçam Gilad Shalit no cativeiro, mas continuem fazendo o máximo afim de libertá-lo.


O preço de um israelense


O preço que o Hamas está exigindo para libertar o soldado é um preço muito caro para a sociedade israelense pagar. A exigência da libertação de 1000 terroristas parece ser absurda para a comunidade de Israel. Visto que segundo especialistas, a última operação de libertação de Tenembaum teria levado a morte de mais de 1500 civis desde então.


Quando um governo como o de Israel cede diante de pressões como esta, a mensagem passada aos grupos terroristas é de que vale apena sequestrar, pois a sociedade israelense seria fraca emocionalmente, este é o motivo pelo qual o Primeiro Ministro de então, Ehud Olmert, havia se recusado a ceder as condições impostas pelo grupo, e da mesma forma, o atual Primeiro Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu continua a se recusar, e não cede as pressões sejam dos grupos terroristas ou seja da sociedade israelense.


Gilad Shalit têm sido objeto da solidariedade mundial, enquanto os prisioneiros palestinos gozam de boas condições nas prisões de segurança em Israel, têm direito a visitas, presentes, boa alimentação, comunicação com parentes e até mesmo ligações telefônicas, ele não têm direito a nada.


Até hoje, todas as tentativas da Cruz Vermelha Internacional e de Diplomacia Internacional falharam em uma tentativa de até mesmo receber sinal de vida de Gilad por parte do grupa Hamas, que ainda se recusa a permitir visitas, telefonemas ou mesmo visita de um médico afim de determinar o estado de saúde do soldado que está em isolamento completo por mais de cinco anos.


Dia 23 de Junho de 2011 a Cruz Vermelha Internacional exigiu do Hamas um sinal de vida do soldado, o que foi recusado e muitos ativistas do Hamas saíram para protestar contra a organização internacional. No mesmo dia, o Primeiro Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu declarou em cadeia nacional e internacional de que o governo de Israel estará diminuindo as muitas vantagens que os prisioneiro palestinos gozam em prisão Israelense. Benjamin Netanyahu declarou que não mais poderão estudar ou se formar em prisão, as visitas serão limitadas, os tempos de passeios nos pátios serão limitados e os meios de comunicação serão cortados. "Não é possível que enquanto Gilad não tem direito a nada, aqui se formam e estudam futuros líderes terroristas".


Blog De Olho na Jihad com informações do The New York Times, do Bicom, e complemento do Café com Torah

COMENTO:
Porque não se programa uma flotilha por Shalit?
Onde estão as organizações dos direitos humanos?
Onde está a mídia?