domingo, 30 de dezembro de 2012

Onde está a mídia e as fotos?


30/12/2012 08h36 - Atualizado em 30/12/2012 08h36

Tropas sírias seguem com bombardeios na região de Damasco

No sábado, 11 crianças morreram em ataque na periferia da cidade.
Conflito já dura 21 meses e matou mais de 45 mil pessoas.

Da France Presse
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As tropas sírias bombardearam neste domingo (30) redutos rebeldes perto de Damasco, um dia depois de mais uma jornada extremamente violenta no país em que 11 crianças morreram nas proximidades da capital.
De acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), pelo menos 32 civis, incluindo 11 crianças e três mulheres, morreram no sábado (29) nos bombardeios aéreos e terrestres da periferia sudoeste e nordeste de Damasco e nas áreas próximas.
Na madrugada de sábado para domingo, as forças leais ao presidente sírio Bashar al-Assadtambém enfrentaram os rebeldes em Harasta, ao nordeste de Damasco, e bombardearam Moadamiya al-Sham, sudoeste, e Bait Saham, perto da estrada que do aeroporto.
No sul do país, na província de Deraa, berço da revolução contra o regime, iniciada em março de 2011, o exército e os rebeldes travaram combates na cidade de Xeque Maskin.
A área próxima da fronteira com a Jordânia, controlada pelo regime, também foi cenário de confrontos.
Jordânia e Síria têm uma fronteira comum de 370 quilômetros que centenas de pessoas atravessam a cada dia a pé para fugir do conflito que, segundo o OSDH, provocou a morte de pelo menos 45.000 pessoas em 21 meses.
Na manhã de domingo, dois rebeldes morreram em combates com o exército na província central de Hama e foram registradas explosões na capital.
Na cidade de Homs, dezenas de pessoas morreram após um ataque do exército, que retomou o controle do bairro de Deir Baalbeh no sábado

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Mais verdades


hamaspeopleUm árabe islâmico, jornalista veterano, afirma: “não importa que os foguetes pudessem ter caído sobre as cabeças deles mesmos. No que diz respeito a esses palestinos, não há problemas se vários árabes são mortos no processo de destruir Israel.”

Não existe nada que cause mais náuseas do que observar pessoas se regozijando à medida que foguetes são disparados contra Israel a partir da Faixa de Gaza.
Foi isto que aconteceu quando o Hamas lançou foguetes contra Jerusalém e Tel Aviv.
Assim que as sirenes foram acionadas, muitos palestinos saíram às ruas e subiram nos telhados, especialmente nas regiões árabes de Jerusalém, para aclamarem o Hamas. Às vezes, eles respondiam aos foguetes do Hamas lançando fogos de artifício ao ar como sinal de alegria e cantando: “Todos nós somos Hamas!” e “Ei, judeus, o exército de Maomé está caçando vocês”.
Cenas de júbilo por causa dos ataques dos foguetes sobre Israel também foram relatadas em várias cidades palestinas na Margem Ocidental, incluindo Ramallah, centro do “pragmatismo e da moderação” palestinos.
Mais tarde, ao saberem que os foguetes do Hamas haviam fracassado em sua intenção de matar israelenses nas duas cidades, os palestinos expressaram sua decepção.
Não importa que os foguetes pudessem ter caído sobre as cabeças deles mesmos. No que diz respeito a esses palestinos, não há problemas se vários árabes são mortos no processo de destruir Israel.
As celebrações refletem a forte hostilidade que muitos palestinos continuam a sentir com respeito a Israel, a despeito dos 20 anos de um processo de paz e dos bilhões de dólares de ajuda que receberam do Ocidente. Essa hostilidade é o resultado direto de anos de incitamento anti-Israel e anti-ocidental no mundo árabe e islâmico.
A hostilidade não é dirigida apenas contra Israel, mas também contra seus amigos - sobretudo os Estados Unidos.
Semelhantes explosões de júbilo estouraram em muitas partes da Margem Ocidental, na Faixa de Gaza e na parte oriental de Jerusalém, imediatamente após os palestinos terem ouvido a respeito dos ataques terroristas nos Estados Unidos em 11 de setembro.
E esta não foi a primeira vez que os palestinos expressaram regozijo quando cidades de Israel foram alvejadas.
Durante a guerra de 2006 no Líbano, os palestinos e alguns cidadãos árabes de Israel subiram aos telhados para aplaudirem os ataques dos foguetes do Hezb'allah (Partido de Alá) nas cidades da região Norte de Israel.
Durante a Segunda Intifada, muitos palestinos, especialmente na Faixa de Gaza, tomavam as ruas para cantar, dançar e distribuir doces depois de saberem sobre outro atentado suicida dentro de Israel.
E quando Saddam Hussein atirou foguetes contra Israel no início dos anos 1990, os palestinos também saíram às ruas e subiram nos telhados, cantando: “Ó amado Saddam, ataque, ataque Tel Aviv!”.
A propósito, no início do conflito em Gaza, muitos palestinos em Ramallah, Nablus e Hebron estavam cantando: “Ó amado Qassam (a ala armada do Hamas), destrói, destrói Tel Aviv!” e “O povo quer a destruição de Israel!”.
Ninguém está esperando que os palestinos expressem solidariedade ou simpatia por Israel em sua confrontação com o Hamas.
Mas, quando muitos palestinos manifestam sua alegria em público devido aos ataques de foguetes e mísseis às cidades de Israel, temos o direito de pensar se existe uma maioria de palestinos que concordaria com qualquer forma de compromisso com Israel.
No atual mundo dos palestinos, qualquer um que fale sobre a paz com Israel é um traidor e um colaborador, mas qualquer um que clame pela destruição de Israel e dispare foguetes contra Tel Aviv e contra Jerusalém é um herói. (Khaled Abu Toameh - www.gatestoneinstitute.org)


Khaled Abu Toameh, 
um muçulmano árabe, é jornalista veterano, vencedor de prêmios, que vem dando cobertura jornalística aos problemas palestinos por aproximadamente três décadas. Estudou na Universidade Hebraica e começou sua carreira como repórter trabalhando para um jornal afiliado à Organização Para a Libertação da Palestina (OLP), em Jerusalém. Abu Toameh trabalha atualmente para a mídia internacional, servindo como “olhos e ouvidos” de jornalistas estrangeiros na Margem Ocidental e na Faixa de Gaza. Os artigos de Abu Toameh têm aparecido em inúmeros jornais em todo o mundo, inclusive no Wall Street Journal,no US News & World Report e no Sunday Times de Londres. Desde 2002, ele tem escrito sobre os problemas palestinos para o jornal Jerusalem Post. Também atua como produtor e consultor da NBC News desde 1989

A verdade


hamasrocketsEmbora Israel faça grandiosos esforços para reduzir as perdas dentre os civis, a tática do Hamas está projetada para maximizá-las.
Como disse Richard Kemp, um ex-comandante das forças britânicas no Afeganistão, o exército israelense faz “mais para salvaguardar civis do que qualquer exército já fez na história das guerras”.

À medida que os foguetes continuam a cair em Israel e em Gaza, é importante entendermos a tática do Hamas e como a comunidade e a mídia internacionais estão estimulando-a. A tática do Hamas é tão simples quanto criminosa e brutal. Seus líderes sabem que, ao dispararem repetidamente foguetes contra as áreas civis israelenses, eles não darão escolha a Israel a não ser revidar. A resposta de Israel vai ter como alvo os foguetes e aqueles que os dispararam. A fim de maximizar suas próprias perdas dentre os civis e, portanto, ganhar a simpatia da comunidade e da mídia internacionais, os líderes do Hamas deliberadamente disparam foguetes a partir de áreas civis densamente habitadas. Os atiradores do Hamas se escondem em bunkers subterrâneos, mas o Hamas se recusa a proporcionar qualquer tipo de abrigo para seus próprios civis, a quem usa como “escudos humanos”. Esta tática ilegal coloca Israel diante de uma escolha trágica: simplesmente permitir que os foguetes do Hamas continuem a alvejar cidades e vilarejos israelenses ou responder aos foguetes com inevitáveis perdas de civis dentre os “escudos humanos” palestinos.
Toda democracia se decidiria pela última alternativa se lhe fosse apresentada a escolha. Embora Israel faça grandiosos esforços para reduzir as perdas dentre os civis, a tática do Hamas está projetada para maximizá-las. A comunidade e a mídia internacionais devem entender isto e começar a culpar o Hamas, em vez de culpar Israel, pelos civis que são mortos pelos foguetes israelenses, mas cujas mortes são claramente parte da tática do Hamas.
Qualquer analista razoável concorda com o presidente Obama de que o Hamas começou esta batalha ao disparar milhares de foguetes contra civis israelenses. Qualquer analista razoável também concorda com o presidente Obama de que Israel tem o direito de defender seus cidadãos. Mas muitos comentaristas culpam Israel por causar perdas dentre os civis palestinos. No entanto, qual seria a opção de Israel a não ser simplesmente permitir que os foguetes sejam voltados para as suas próprias mulheres e filhos? Como observou o presidente Obama, quando foi a Sderot como candidato:
A primeira tarefa de qualquer nação é proteger seus cidadãos. Assim, posso assegurar-lhes que, se (...) alguém estiver atirando foguetes dentro da minha casa, onde minhas duas filhas dormem à noite, farei tudo o que estiver em minhas forças para parar com isso. E eu esperaria que os israelenses fizessem a mesma coisa.
Israel deveria continuar a fazer todos os esforços para reduzir as perdas dentre os civis, tanto porque isso é algo humano de se fazer quanto porque serve aos seus interesses. Mas, enquanto o Hamas continuar a disparar foguetes a partir de áreas densamente habitadas por civis, em vez de usar as muitas áreas abertas fora da Cidade de Gaza, esta tática cínica - que constitui um duplo crime de guerra - garantirá que algumas mulheres e crianças palestinas sejam mortas. E a liderança do Hamas se prepara para essa repulsiva certeza ao organizar a exposição dos bebês mortos diante da mídia internacional. Em um desses casos, os radicais palestinos postaram um vídeo de um bebê que, na verdade, havia sido morto na Síria pelo governo Assad; e, em outro caso, eles mostraram o corpo de um bebê que havia sido morto por um foguete do Hamas que detonou no lançamento, afirmando falsamente que ele havia sido vítima de um míssil israelense.
Como disse Richard Kemp, um ex-comandante das forças britânicas no Afeganistão, o exército israelense faz “mais para salvaguardar civis do que qualquer exército já fez na história das guerras”. Isto inclui espalhar folhetos, dar telefonemas e outros tipos de avisos aos civis residentes na Cidade de Gaza. Mas o Hamas se recusa a fornecer abrigo a seus civis, expondo-os deliberadamente aos riscos associados à guerra, enquanto abriga seus combatentes em bunkers subterrâneos.
A tática do Hamas também é projetada para impedir Israel de fazer a paz com a Autoridade Palestina. Mesmo os pacifistas israelenses estão preocupados porque, se Israel encerrar sua presença na Margem Ocidental, o Hamas tomará posse daquele território, assim como fez com Gaza logo depois que Israel retirou-se daquela área. A Margem Ocidental está muito mais próxima dos principais centros populacionais israelenses do que Gaza. Se o Hamas disparasse foguetes da Margem Ocidental para Jerusalém e Tel Aviv, Israel teria que responder militarmente, como tem feito em Gaza. Novamente, civis seriam mortos, provocando protestos internacionais contra Israel.
O que estamos vendo hoje é uma reprise do que aconteceu em 2008 e 2009, quando Israel entrou em Gaza para impedir o disparo de foguetes. O resultado foi o Relatório Goldstone, que colocou a culpa diretamente em Israel. Esse relatório simplório - condenado pela maioria das pessoas pensantes e, finalmente, também pelo próprio Goldstone - tem estimulado o Hamas a voltar à tática que resultou na condenação internacional de Israel. Esse procedimento persistirá enquanto a comunidade e a mídia internacionais continuarem culpando Israel pelas mortes de civis causadas por uma tática deliberada do Hamas. (Alan M. Dershowitz -www.gatestoneinstitute.org)
 


Alan M. Dershowitz
 é advogado, jurista e comentarista político. Desde 1967 é professor titular da Escola de Direito da Universidade Harvard.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Mais um pouco de História


A difícil equação da Paz

por Herman Glanz – O historiador israelense, Benny Morris, um dos “novos historiadores”, grupo da linha da esquerda, em entrevista ao jornal Haaretz, de 20/09/2012, afirmou ser impossível um acordo de paz com os palestinos porque eles não aceitam a existência de um Estado de Israel no território da Palestina, que consideram englobar toda a área do Estado de Israel. Todo o conflito está centrado neste detalhe. Por esta razão, vê como impossível a solução de dois Estados. Devemos ter presente que Benny Morris escreveu livro sobre os chamados “refugiados palestinos” culpando Israel e que os “novos historiadores” chegaram a subverter toda a historiografia israelense; os livros escolares, por exemplo, não apresentavam fotografias de Herzl, Ben Gurion, Moshe Dayan, Golda Meir, mas de Gamal Abdel Nasser e Bourghiba. Tudo foi revisto.
Benny Morris explica suas conclusões, demonstrando que os árabes nunca abriram mão do território da Palestina, não havendo lugar para um Estado Judeu no local. Por outro lado, diz, a liderança judaica e sionista sempre se mostrou disposta a abrir mão de partes do território da Palestina, que fora destinada a constituir o Lar Nacional Judaico. Mostra que tal ocorreu em 1937, quando a Comissão Peel, em razão da violência árabe contra os judeus da Palestina, provocando massacres, propunha a partilha do território, (esclarecemos que já se tratava do território remanescente do Lar Nacional), mas os árabes não aceitaram, isto é, os países árabes, mas a liderança judaica e sionista aceitara. (deve ser observado que não havia povo palestino naquela ocasião, sendo a negativa pronunciada pelos países árabes). O mesmo voltou a ocorrer com a Partilha da Palestina promovida, desta vez, pela Assembleia-Geral da ONU, em 29 de novembro de 1947, aceita pela liderança judaica e sionista, e rejeitada pelos árabes (países árabes), observando-se, também, a inexistência de povo palestino em 1947.
Devemos lembrar da partilha imposta pela Inglaterra, Potência Mandatária, retirando quase 80% do território da Palestina para poder criar o Emirado da Transjordânia (hoje Jordânia), o que foi aceito pela liderança judaica e sionista, em julho de 1922, e que acabou motivando um cisma na Organização Sionista Mundial, com a renúncia de um dos seus dirigentes, Zeev Jabotinsky, contrário a essa perda de território, e cunhando um lema: “Duas margens tem o Rio Jordão – esta é nossa e a outra também. Tanto em 1922, quanto em 1937 e em 1947, a Organização Sionista tinha na direção Chaim Weizmann e David Ben Gurion. Os judeus sempre queriam um Estado, por menor que fosse, para viver em paz.
O Tratado de Paz com o Egito entregou todo o Sinai, tendo Menahem Begin afirmado que nunca o Sinai fora reivindicado pelos judeus, por isso não se opôs. Depois vieram os Acordos de Oslo, com Rabin, Shimon Peres, Ehud Barak e mesmo Natanyiahu, em governo anterior, entregando partes da Margem Ocidental em consequência dos Acordos, e, em 2005, Ariel Sharon entregou, unilateralmente, a Faixa de Gaza e mais partes da Margem Ocidental. Tudo visando a paz, num princípio de Terras por Paz, paz que nunca aconteceu.
Devemos acrescentar que outro fator que corrobora com Benny Morris é a determinação islâmica fundamentalista de que “uma vez conquistado um território, mesmo pela força, passa a constituir território islâmico perpétuo e nenhum muçulmano tem o poder de ceder tal território, no todo ou em parte”. Essa situação ficou evidente em duas ocasiões: a primeira, quando das discussões do Tratado de Paz com o Egito e existiam duas pequenas vilas no Sinai, junto da divisa com a Faixa de Gaza, levantadas logo depois de 1967 – Yamit e Sal-it. Os israelenses achavam que não haveria a menor dificuldade em mantê-las, até argumentando que quem faz a guerra e perde, paga com território e se tratava de área de tamanho insignificante.
Sadat se manteve firme, não podendo desprezar um centímetro de território e foi Begin quem cedeu. A segunda vez aconteceu com o Hotel Sonesta, em Taba, na fronteira com o Sinai, quando, por erro de locação, uma quina do prédio do hotel avançou uma insignificância sobre o Sinai – Israel cedeu tudo. Os muçulmanos nunca cedem território e quando são expulsos, se acham obrigados a retomá-lo, leve o tempo que for necessário. Esse é o caso de Al Andaluz, esperando os muçulmanos o retorno do Califado europeu.
Aliás, Mahmoud Abbas expressou isso com toda clareza, nesta semana, numa declaração na sua página oficial no Facebook. Lá ele declara francamente de que Israel está ocupando ilegalmente território palestino, não somente na Judeia e Samária, mas pelo contrário, “isso se aplica a todos os territórios que Israel ocupa de antes de junho de 1967.” E não devemos esquecer que nos Acordos de Oslo o finado Arafat disse aceitar Israel em carte à parte, não figurando nos textos da Declaração de Princípios e que a Carta da OLP, apesar dos Acordos, não foi emendada e continuam os artigos contrários à existência de Israel.
Entender uma afirmação de um historiador como Benny Morris nos mostra, sob um ângulo prático, quão difícil é a paz no Oriente Médio e não devemos esquecer, nos dias de hoje, que a Primavera Árabe nada tem a ver com Israel. O que temos permanentemente falado está agora, ao que parece, sendo entendido por outros de diferentes espectros. Devemos lamentar a situação e ter esperança de que os verdadeiros moderados surjam, e teremos paz.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012


A Guerra Santa não Deixa de Ser Guerra

por Herman Glanz – Em 30 de agosto passado, num debate no Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a guerra civil na Síria, que causara, só naquele mês de agosto, mais de 5000 mortes, o representante sírio, Bashar al-Jafari, culpava os países ocidentais pelo apoio aos rebeldes sírios, especialmente a França, que foi Potência Mandatária, por ter promovido uma mistura de etnias no seu país, o que levou à guerra atual.
O Ministro do Exterior da França, Laurent Fabius, presente, respondeu que, ao se falar contra o Mandato francês, lembrava que o avô do atual Presidente sírio, em carta que se encontra no Ministério do Exterior, da qual poderia fornecer uma cópia ao representante sírio, pedira à França para não conceder independência à Síria. Esse documento, recebido na França em de 15 de junho de 1936, já foi publicado no jornal libanês Al-Nahrar e no jornal egípcio Al-Ahram, e o professor Dr. Mordechai Kedar, da Universidade Bar-Ilan, apresentou a tradução integral do mesmo; (comentários entre parêntesis). A carta faz um elogio aos sionistas e demonstra que a paz de Israel com os árabes muçulmanos se mostra impossível. Apresentamos, a seguir, tradução da referida carta:
“Prezado Sr. Leon Blum, Primeiro-Ministro da França
Diante das negociações que estão se desenrolando entre a França e a Síria, nós – os líderes Alawitas na Síria – respeitosamente submetemos os seguintes pontos à consideração Vossa Senhoria e ao seu Partido (Partido Socialista Francês):
1 – A Nação Alawita (sic) que se tem mantida independente durante anos por meio de muito sacrifício, zelo e mesmo submetida a ataques mortíferos, é uma nação diferente da Nação Muçulmana sunita na sua fé religiosa, costumes e história. Nunca houve ocasião em que a Nação Alawita (que vive nos montes da costa ocidental da Síria) estivesse sob domínio dos muçulmanos que governam as cidades do interior do país.
2 – A Nação Alawita recusa ser anexada à Síria muçulmana, porque a religião islâmica, passando a ser considerada a religião oficial do país, fará a Nação Alawita ser tida como herege pela religião islâmica. Em vista deste fato, solicitamos venha a levar em consideração o perigoso e terrível destino que aguarda os alawitas caso se vejam forçados a uma anexação à Síria quando do fim do Mandato (da França), de forma que os muçulmanos conquistarão o poder de impor as leis que derivam da sua religião. (de acordo com o Islã, quem professar culto herege tem a oportunidade de se converter ao islamismo ou sofrer a jihad).
3 –Conceder a independência à Síria e cancelar o Mandato seria um bom exemplo para os princípios socialistas da Síria, mas o significado de completa independência representará o domínio por algumas poucas famílias muçulmanas sobre a Nação Alawita na Cilícia, Askadron (a Faixa de Alexandreta, que a França destacou da Síria e anexou à Turquia, em 1939) e sobre os Montes de Ansariyya (os Montes da parte ocidental da Síria, que constituem uma continuação topográfica dos Montes do Líbano). Até mesmo a existência de um Parlamento e um governo constitucional não asseguram a liberdade dos cidadãos. Tal controle parlamentar é somente uma fachada, desprovido de qualquer valor, e a verdade é que será controlado pelo fanatismo religioso que subjugará as minorias. Desejam os líderes da França que muçulmanos controlem os alawitas e os atirem no fosso da miséria?
4 – O espírito de fanatismo e as estreitas ideias, cujas raízes se encontram profundamente entranhadas no coração dos árabes muçulmanos para com aqueles que não são muçulmanos, é o espírito que alimenta continuamente a religião muçulmana, e portanto não existe esperança de que a situação mudará. Caso o Mandato se encerre, o perigo de morte e destruição será uma ameaça constante para com as minorias na Síria, mesmo que ao se encerrar (o Mandato), se decrete liberdade de pensamento e religião. Isto porque observamos, hoje em dia, como os muçulmanos de Damasco forçam os judeus, que lá vivem sob seu mando, a firmar documento que os proíbem de enviar alimentos para os seus irmãos judeus que estão sofrendo uma catástrofe na Palestina (eram os tempos da Grande Rebelião Árabe de 1936/37, promovendo matança dos judeus), constituindo a situação dos judeus na Palestina a mais forte e concreta prova da importância que o problema religioso representa para os muçulmanos árabes para com aqueles que não pertencem ao Islã. Esses bons judeus, que trouxeram civilização e paz para os árabes muçulmanos, e distribuíram riqueza e prosperidade para a terra da Palestina, não prejudicaram ninguém, não tendo tomado nada pela força e, no entanto, os muçulmanos declararam a Guerra Santa contra eles e não hesitaram em promover uma carnificina contra mulheres e crianças, a despeito do fato da Inglaterra se achar na Palestina e a França na Síria. Por isso, um futuro negro aguarda os judeus e outras minorias se o Mandato for encerrado e a Síria Muçulmana vier a se unir à Palestina Muçulmana. Essa união é o objetivo final dos árabes muçulmanos..
5 – Muito apreciamos sua generosidade de espírito defendendo o povo sírio e o desejo de promover a sua independência, mas a Síria, no presente momento, está longe do elevado objetivo que aspiram para com ela, porque a Síria ainda se encontra amarrada ao espírito do feudalismo religioso. Achamos que o governo francês e o Partido Socialista Francês não concordarão com a independência da Síria, caso sua implementação cause a subjugação da Nação Alawita, colocando a minoria alawita em perigo de morte e destruição. Não pode ocorrer que Vossa Senhoria concorde com a exigência síria (nacionalista) de anexar a Nação Alawita à Síria, porque os elevados princípios de Vossa Senhoria – se comungam a ideia de liberdade – façam acatar uma situação na qual uma nação (a muçulmana) tenta bloquear a liberdade de outra (a alawita), forçando a anexação.
6 – A França pode incluir a garantia dos direitos dos alawitas e outras minorias no texto do Tratado (o Tratado Franco-Sírio, que define as relações entre os Estados), mas enfatizamos a Vossa Senhoria que tratados não têm valor para a mentalidade síria-islâmica. Já vimos tal fato anteriormente, com o Pacto firmado entre a Inglaterra e o Iraque, que proibia os iraquianos de maltratarem e assassinarem os assírios e yázidis.(curdos do norte do Iraque).
A Nação Alawita que nós, abaixo assinados, representamos, suplica em alto e bom som ao governo da França e ao Partido Socialista Francês, e requer que garantam a sua liberdade e independência dentro dos seus pequenos limites (vejam: um Estado Alawita independente!). A Nação Alawita deposita seu bem-estar nas mãos dos líderes do Partido Socialista Francês e espera encontrar amplo suporte para uma nação que demonstra grande amizade e que já prestou à França grande serviço e atualmente se encontra em perigo de morte e destruição.
Assinados: Aziz Agha al-Hawash, Mahmud Agha Jadid, Mahmud Bek Jadid, Suleiman Asad (avô de Hafez, o pai de Bashir), Suleiman al-Murshid, Mahmud Suleiman al-Ahmad.”
Nada poderia ser mais claro e, por outro lado, explica a fúria assassina de Bashar Assad, porque os alawitas sabem que, se os sunitas, ou xiitas, tomarem o poder já têm o exemplo do ocorrido com Khadafi da Líbia. O Ponto 6 da mesma carta, que fora dirigida a Leon Blum, então Primeiro-Ministro francês, do Partido Socialista, traz um esclarecimento contundente sobre o valor dos tratados com os muçulmanos.
Quando a Presidenta Dilma Rousseff, na abertura da Assembleia-Geral da ONU, dia 25 de setembro passado, falou em solução diplomática para a Síria, e contra solução militar, o avô de Bashar Assad, juntamente com outros alawitas, advertiam dos perigos e falava das desgraças e terrível destino que pairavam para os divergentes de um islã predominante. Os alawitas lutam com crueldade para não “perderem as cabeças”, literalmente, cometendo atrocidades, para se manterem vivos, pois, em caso de domínio sunita, (ou xiita), serão massacrados, caso não consigam uma situação separatista. No caso de Israel, portanto, deve-se lutar para sobreviver, mesmo que os bons judeus tenham trazido prosperidade e não tenham tomado nada pela força nem prejudicado ninguém. Os israelenses são vítimas da intolerância, do fanatismo, do radicalismo e do nazismo e têm de lutar para não se deixarem abater, vendo-se quão difícil fica conseguir a paz nas circunstâncias atuais e quanto se pode confiar nos Tratados.

terça-feira, 19 de junho de 2012

A ONU de hoje e de ontem


A Síria e o fim da ONU

por Deborah Srour – Mais uma vez estamos diante de uma crise em que milhares de pessoas são massacradas e outra vez a ONU nos prova que está aí como um cabide de empregos de alta escala. A crise na Síria é só o mais recente caso de assassinato em massa em que a ONU decidiu não agir e não cumprir o mandato para o qual ela foi criada.
A Organização das Nações Unidas foi estabelecida em 1945 para impedir que os horrores do Holocausto se repetissem. Um dos seus documentos mais fundamentais é a Declaração Universal dos Direitos do Homem aprovada em 1948 que falava dos “atos bárbaros que escandalizaram a consciência da humanidade”. Junto com a Declaração, a Assembléia Geral adotou a Convenção Contra o Genocídio. Na época estava claro para todos que a ONU havia sido criada para prevenir que este tipo de assassinato em massa acontecesse outra vez.
Mas nos anos 90, a ONU provou ser completamente incompetente para impedir os atos de genocídio.
Em 1994, o comandante das forças da ONU em Rwanda, General Romeo Dallaire, enviou uma mensagem para a sede da organização em Nova Iorque dizendo que os Hutus estavam planejando um massacre dos Tutsis. Dallaire informou então que iria destruir os depósitos de armas das milícias Hutus. O chefe da força de paz da ONU na época era Kofi Annan e ele ordenou ao general não interferir. Nos três meses que se seguiram, nada menos que 800 mil Tutsis foram abatidos como gado.
Aí o Conselho de Segurança da ONU fez reuniões para decidir que ação tomar e no final não fez absolutamente nada. O cúmulo foi ter o representante do regime de Rwanda sentado no Conselho como parceiro legítimo dos debates.
Depois tivemos a Bósnia. Em 95 o Conselho de Segurança criou uma “area de segurança” para os muçulmanos da cidade de Srebrenica. O comandante das forças da ONU prometeu que nunca os abandonaria. Mas em Julho de 1995 o exército sérbio atacou e matou mais de 8 mil muçulmanos que viviam na cidade. O batalhão holandês da ONU que havia fugido dias antes, estava numa festa da cerveja em Zaghreb, capital da Croácia, durante os massacres.
A cada vez que foi testada, a ONU fracassou em sua missão. No ano passado, os conselheiros de Barack Obama disseram que se o ocidente não agisse na Líbia, Srebrenica iria parecer um passeio no parque na frente do que Khadafi iria fazer com Benghazi. E aí Obama acionou as forças da OTAN para fazer o trabalho.
Hoje o mundo está frente à uma nova Srebrenica. A revolução na Síria começou em Março de 2011. Todos os dias centenas de civis morrem enquanto o Conselho de Segurança continua a fazer reuniões que não levam a nada. Uma resolução proposta em outubro do ano passado foi vetada pela Russia e China. No final de maio deste ano, o Conselho de Segurança finalmente condenou o governo sírio pela morte de 108 civis em Houla. Mas nenhuma ação concreta foi aprovada.
Outra vez o gênio das forças de paz, Kofi Annan, foi nomeado como enviado especial da ONU e da Liga Árabe para lidar com a crise na Síria. Em março ele anunciou um plano de 6 pontos que resultou em nada! Mas enquanto Annan ia e vinha a Damascos, o ocidente tinha uma boa desculpa para lavar as mãos e não tomar qualquer medida concreta contra Bashar Al-Assad. Nesse meio tempo, 14 mil sírios perderam suas vidas. E mais uma vez, a ONU falhou no seu maior objetivo: prevenir o assassinato em massa de civis inocentes.
A razão pela qual a ONU fracassa a cada vez que tem que tomar uma atitude para evitar um genocídio é por que a organização perdeu foco de seu objetivo em favor dos interesses dos estados membros. A ONU se recusa a tomar qualquer posição moral firme condenando aqueles que cometem massacres ou impondo medidas efetivas contra eles – com exceção de Israel.
No caso da rebelião de Darfur que começou em 2003, quando os Estados Unidos pediram para a ONU agir contra o genocídio praticado pelo exército sudanês, ela simplesmente recusou reconhecer que estava ocorrendo um genocídio e deixou meio milhão de pessoas serem mortas nos oito anos que se seguiram.
Há duas lições para Israel aprender da falta de resposta da comunidade internacional para a crise na Síria: primeiro, o comportamento da organização prova mais uma vez, que Israel nunca deve comprometer sua doutrina de contar consigo própria quando sua segurança estiver em jogo e nunca deve contar com a proteção de forças internacionais.
Em 29 de maio, o Wall Street Journal acusou a organização de ser “cúmplice” do massacre de Houla. Isto pode ter sido uma crítica dura mas contém uma verdade que não pode ser ignorada: as Nações Unidas dizem que irão proteger as pessoas ameaçadas de extermínio, e ao final, não fazem absolutamente nada além de dar um assento de primeira fila às suas forças de paz para assistirem as agressões e massacres.
E esta é a segunda lição: Israel deve responder de modo diferente às constantes críticas que ela recebe de vários órgãos da organização.
Se a ONU é um corpo paralisado, que não pode tomar decisões sobre genocídios, que trata os agressores e suas vítimas da mesma forma, então Israel deve se recusar a aceitar julgamentos morais sobre o seu conflito com os palestinos. Quem são eles para emitirem dia após dia, declarações contra Israel?
A crise na Síria é só o último exemplo de como a ONU perdeu a autoridade moral que tinha quando foi fundada. De fato, ela perdeu qualquer função prática além de causar congestionamentos em Nova Iorque e empilhar multas de estacionamento dos seus diplomatas.
Acho que Israel precisa mudar sua atitude para com a ONU e responder à altura a próxima vez que for “condenada” por um outro funcionário de cabide

domingo, 25 de dezembro de 2011

A matança continua

Ataque suicida no Afeganistão deixa ao menos 15 mortos

Homem disparou explosivos durante funeral na
cidade de Taloqan.

Nova explosão atinge terceira igreja na Nigéria no domingo
de Natal
Porta-voz de grupo islâmico Boko Haram assumiu a autoria dos
atentados.País africano sofre com atentados que já deixaram pelo menos 25
mortos.
Confrontos de terça na Síria deixam ao menos 56 mortos,
diz oposição
Informação é do Observatório Sírio dos Direitos Humanos, na
Grã-Bretanha.Mortes devido à repressão no país passam de 5 mil, segundo a
ONU.